Loyola: Crise da Ásia é pretexto
O presidente do Banco Central, Gustavo Loyola, disse ontem que a crise do Sudeste Asiático serviu de pretexto para que investidores fechassem suas operações nas Bolsas de Valores brasileiras. Os problemas da Ásia deram um pretexto bastante conveniente para essa realização de lucros.
A avaliação do ministro do Planejamento, Antonio Kandir, é parecida. Segundo ele, a queda nas bolsas aconteceu porque investidores que tiveram prejuízos em outros locais venderam ações para realizar lucro no Brasil.
Loyola insistiu ontem, mais uma vez, que o mercado brasileiro não sentirá os efeitos da desvalorização das moedas dos países do Sudeste Asiático. A situação está sendo encarada com muita tranquilidade pelo Banco Central. Segundo Loyola, a queda forte nas bolsas é um movimento considerado normal pelo governo, já que as ações só vinham registrando ganhos.
Para ele, a economia brasileira tem estrutura bem diferente da dos países asiáticos. A forma de financiamento, da composição e a perspectiva futura do déficit das transações correntes (total das operações de um país com o exterior) são distintas e colocariam o Brasil em uma posição melhor. O presidente do BC disse também que a queda das bolsas de outros países latino-americanos - como, por exemplo, Argentina, México e Peru -, não é um reflexo da queda das ações no Brasil.
O mercado atribuiu essa queda ao efeito samba, isto é, ao desempenho das bolsas no Brasil. Em tom de brincadeira, ele disse que o único efeito samba que conhece é o samba da cantora Beth Carvalho que acordou o robô que está em Marte. Hoje existe uma globalização e os mercados têm conexão entre si. Na nossa visão, embora a crise tenha atingido mais de um país, o efeito multiplicador sobre o Brasil é insignificante ou muito baixo.





