Loures quer manter boa relação com governo
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terça-feira, 14 de agosto de 2007
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Mesmo sem o apoio do governador Roberto Requião para a sua candidatura o presidente reeleito da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo da Rocha Loures, acredita em uma boa relação com o governo do Estado. ''Será uma relação institucional sempre que houver necessidade. Espero que seja uma relação de mútuo respeito e de cooperação. Nós como indústria, temos assuntos para tratar com o governo e vice-versa'', disse. Loures afirmou que não vê ''nenhum tipo de problema'' nisso e que ''com diálogo as coisas se resolvem''.
''O processo eleitoral encerrou. O empresariado fez a sua escolha. Foi uma prova de maturidade. Todos saímos valorizados deste processo. Temos que olhar daqui para frente até porque há uma agenda para defender'', disse. Em 2003, quando Loures foi eleito para o primeiro mandato era aliado do governador.
O mote para o rompimento entre os dois foram as críticas que o presidente da Fiep fez à administração do superintendente do Porto de Paranaguá, Eduardo Requião e à fragilidade da política industrial do governo. Durante toda a campanha eleitoral, o governador declarou apoio ao candidato da oposição, Álvaro Scheffer.
Loures disse que uma possível troca de comando na administração do porto de Paranaguá é de responsabilidade do governador. ''Quanto mais profissionalizado for o porto mais eficiente'', afirmou.
O presidente da Fiep afirmou ainda que a sua gestão de quatro anos terá duas prioridades - o plano de gestão para assuntos internos do sistema e um plano de proposta de política industrial para o Paraná com a descentralização das atividades da entidade. ''Vamos estimular investimentos mas o Brasil precisa ter um banco de projetos prontos'', disse.
Ele destacou que a Fiep já se posicionou contra a prorrogação da CMPF. Na próxima sexta-feira ele terá um encontro com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para tratar da reforma tributária. A entidade defende que a carga tributária, hoje em 35%, não exceda 25% e a criação de um dispositivo legal para isso. Segundo ele, há um estudo do Banco Mundial que aponta que, se a corrupção no Brasil continuar, haverá uma perda de 25% na renda per capita nos próximos anos.
Loures defende a redução da carga tributária e dos juros. ''O governo gasta mal porque gasta muito. Se reduzir a mesada do governo aí vai ter que se virar e racionalizar seus gastos. A Receita Federal é um exemplo de que o governo quando quer, organiza sistemas eficientes. Se todos os sistemas públicos tivessem a eficiência da Receita o Brasil seria uma nação muito mais desenvolvida'', destacou.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) finalizou os estudos para recomendar uma estratégia para o Brasil ser mais competitivo em termos industriais que será encaminhada para o presidente Lula nas próximas semanas. Para ele, a política industrial é algo complexo e tem a ver com inovação tecnológica e não apenas com o oferecimento de incentivos e barracões industriais.


