Curitiba - Com a queda do dólar, as importações de louças da China voltam a ameaçar a indústria nacional. No mês de maio, quando a moeda despencou, as indústrias de louça e porcelana de Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba, sentiram uma retração de 40% nas vendas. ''Estamos vivendo novamente o pânico que havia no início do Plano Real'', disse José Canisso, presidente do Sindicato da Indústria da Louça, Porcelana e Cerâmica do Estado do Paraná (Sindilouça).
Para evitar a derrocada de empresas como aconteceu no início do plano Real, o setor já está se mobilizando com indústrias similares de Santa Catarina e São Paulo para negociar com o governo federal. O Sindilouça quer liderar uma campanha nacional para que o governo federal crie salvaguardas contra a porcelana chinesa que chega abaixo do custo da produção nacional. Os empresários pretendem sugerir a cobrança de taxas para internalizar a produção chinesa, com o objetivo de neutralizar os subsídios concedidos às indústrias do setor na China.
Segundo Canisso, as indústrias estão recorrendo às exportações para manter a linha de produção em atividade. ''Mas com o dólar barato, o equilíbrio proporcionado pelo mercado externo fica mais vulnerável'', afirmou. As indústrias de Campo Largo estão exportando porcelana para os países da Europa e Estados Unidos, onde competem em igualdade de condições com os produtos chineses. O município foi incluído no programa do governo federal Exporta Brasil, para estimular as exportações.
Dos US$ 380 milhões exportados mensalmente por Campo Largo, apenas 20% desse total corresponde à venda de louças. As exportações do município são movimentadas pela venda de motores para veículos automotivos, disse Canisso.
Segundo o empresário, as grandes redes de supermercados e lojas de departamentos estão importando a porcelana chinesa e cortaram pela metade as compras da indústria nacional. ''Os produtores chineses não carregam os custos que temos aqui e ainda recebem subsídios no gás, na energia, transportes. Até a mão-de-obra é mais barata'', frisou.
Canisso destacou que a louça, porcelana e cerâmica nacional só perdem em preço para o produto chinês. Quando o item comparado é qualidade, o produto nacional ganha competitividade. ''O design de nossos produção é mais bonito e eles não apresentam resíduos tóxicos como as peças chinesas'', comparou.
Atualmente apenas 17 empresas do setor de porcelana, cerâmica e vidro resistem às incertezas da economia nacional, sendo uma em Santa Catarina, seis no Paraná e 10 em São Paulo. ''São as sobreviventes de um período difícil que desestimulou a atividade'', disse Canisso. Segundo ele, empresas do mesmo setor também foram fechadas na Argentina, Uruguai e Chile. ''É muito difícil compatibilizar a produção artesanal com a economia de mercado'', lembrou.

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