Lotéricos do Paraná colocaram ontem tarjas pretas sobre o logotipo da Caixa Econômica Federal existentes em suas lojas. Em algumas cidades, foram os funcionários que usaram as faixas pretas. A atitude foi em solidariedade aos lotéricos de São Paulo, que fecharam as portas, também ontem, em um dia de protesto. A categoria reivindica segurança. Quer que o transporte dos valores recolhidos pelas lotéricas seja de responsabilidade da Caixa, já que os recursos são administrados pelo banco.
Além disso, os lotéricos reivindicam o aumento da comissão que ganham das operações bancárias feitas para a Caixa. Ainda este mês, o Sindicato dos Lotéricos realiza assembléia, que pode decidir pelo indicativo de paralisação. Na última sexta-feira, a reunião, em Brasília, entre o Sindicato das Lotéricas e o superintendente nacional de Loterias da Caixa, Marco Antônio Lopes, não surtiu o efeito esperado pela categoria. O superintendente se recusou a negociar tarifas e preços. ''A Caixa é o franqueador. Por isso, dita as normas. Quem não estiver satisfeito pode se descredenciar'', informou por intermédio de sua assessoria.
Na avaliação do presidente do Sindicato das Lotéricas do Paraná, Aldemar Mascarenhas, os benefícios anunciados pela Caixa na última sexta-feira, em que R$ 81 milhões seriam investidos em mecanismo para aumentar a segurança, diminuiriam ainda mais a comissão das lojas para a realização das transações. O lotéricos querem receber R$ 0,40 por transação. Atualmente ganham R$ 0,22. ''Eles passarão a receber R$ 0,27 por trabalho realizado'', rebateu a assessoria da Caixa.
Segundo a Caixa, quanto ao transporte dos valores, será criado um subcomitê de prevenção e segurança, em cada Estado. ''A verba será proporcional à arrecadação da loteria no Estado e terá representantes dos lotéricos. Vamos tratar cada Estado de forma particular, pois a questão da segurança é diferenciada em cada localidade'', disse Lopes.
Segundo Mascarenhas, o Paraná responde por 8% da arrecadação das lotéricas em todo o Brasil, ocupando a quarta posição entre os estados. As cerca de 600 lotéricas instaladas no Estado, respondem por mais de R$ 25 milhões com o movimento mensal de contas.
Em Londrina, 90% das casas lotéricas aderiram ao protesto. O proprietário da Lotérica Bilhetão Tuparandi, Cláudio Fujito, afirmou que seus quatro funcionários trabalharam com tarja preta nas roupas. Segundo ele, a questão de segurança é séria já que aumentaram em muito os assaltos em loterias da cidade. (Colaborou Érika Pelegrino, de Londrina)

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