Loterias renovam o sonho da 'sorte grande'
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terça-feira, 10 de junho de 2003
Betânia Rodrigues<br> Reportagem Local 
O técnico em contabilidade Pedro José Jacoby, 50 anos, persegue o sonho de ficar milionário numa jogada de sorte há cerca de 20 anos. Apostador fiel de loterias, ele nunca ganhou o primeiro prêmio, mas já fez alguns ternos na Quina e quadras da Mega. ''Não gosto muito de bolões. Prefiro jogar sozinho'', afirma. Para garantir a 'distração' semanal, ele reserva uma parte do orçamento do mês. ''Vi meu pai fazer isso a vida inteira, mesmo sem ganhar nada'', completa.
Outro perseguidor da ''sorte grande'' é o engenheiro civil Jorge Mussi, 52 anos, que prefere jogar na Quina e Lotomania porque acha que a probabilidade de acerto é maior. Ele diz que faz os jogos de cabeça e, às vezes, por instinto, copia a numeração das notas que tem no bolso. ''Pode ser a única oportunidade de ficar rico'', justifica.
Jacoby e Mussi são só dois exemplos de uma legião de apostadores que movimentam a lucrativa ciranda das loterias da Caixa Econômica Federal (Caixa). Legião inclusive, que não pára de crescer. A prova é que a arrecadação da Caixa com os jogos aumenta ano a ano. Em 1995, os brasileiros apostaram R$ 1.632.987.731,26. Em 2002 elevaram o investimento para R$ 3.011.683.267,60. Dividindo a arrecadação pelo número de bilhetes vendidos a média obtida por aposta subiu de R$ 0,56 para R$ 1,66 no mesmo período.
Segundo Paulo Toncovitch, coordenador da gerência nacional de loterias da Caixa, a tecnologia teve um papel fundamental nessa evolução. Não faz muito tempo, os cartões eram picotados e a participação das casas lotéricas na rede de serviços bancários ainda era modesta. Com a transmissão de dados em tempo real a quantidade de pessoas que circulam por esses estabelecimentos aumentou muito e, consequentemente, o número de apostas.
O montante que essa atividade movimenta no País é impressionante. Somente em 2002, as loterias da Caixa repassaram mais de R$ 1,4 bilhão para as áreas sociais do governo federal. Nos últimos cinco anos, esse volume chega a R$ 5 bilhões. Os benefícios vão para custeio do ensino superior a mais de 220 mil estudantes universitários, atletas amadores e profissionais (através dos Comitês olímpicos e paraolímpicos) dentre outros beneficiários. ''A cada R$ 1,00 apostado, pelo menos, metade volta em benefícios para a sociedade. Promover a contribuição voluntária do cidadão é o principal objetivo'', afirmou Toncovitch.
Os jogos oferecidos pelo governo dividem-se em prognósticos numéricos (Loteria Federal, Raspadinha, Quina, Dupla Sena, Mega-Sena e Lotomania) e esportivos (Loteca e Lotogol). Entre todos, o mais procurado é a Mega-Sena que sempre oferece prêmios altos. A cada concurso de final zero, o valor, praticamente, triplica. Isso ocorre porque 20% do valor arrecadado nos concursos de final 1 a 9 é incluído no sorteio final zero. Hoje, por exemplo, será realizado o concurso 470 que oferecerá R$ 13 milhões ao vencedor. Já o concurso da Lotomania, que também está acumulada, reserva R$ 1,3 milhão para quem acertar 20 números, e R$ 900 mil para quem não acertar nada. O sorteio dos números será às 20 horas, no Caminhão da Sorte, em Pelotas (RS).


