Lorenna Rodrigues Folhapress
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Ricardo Leopoldo<br> Agência Estado 
São Paulo O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, avaliou ontem ser difícil que os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apresentem um resultado positivo em fevereiro, pois o nível de atividade no primeiro trimestre é menos vigoroso do que o restante do ano. Se os números vierem positivos neste mês, será formidável, diante da conjuntura internacional, comentou. Se isso de fato ocorrer, indicará que houve uma reação forte demais das empresas no corte de pessoal para atacar seus problemas de estoques.
Em janeiro, foram fechados 101.748 postos de trabalho formal no País, de acordo com o Ministério do Trabalho. A marca foi bem inferior ao corte de 654,9 mil vagas em dezembro. Para Pochmann, os dados apurados pelo Caged nos últimos dois meses mostram que a forte desaceleração do País no quarto trimestre de 2008 não deve ser avaliada como uma tendência sobre o que vai ocorrer com o nível de atividade e o mercado de trabalho em 2009. Este ano será atípico. Será preciso analisar a divulgação dos dados mês a mês. Há muitas incertezas, sobretudo com a evolução da economia mundial no curto prazo, disse.
Na opinião do presidente do Ipea, contudo, há indicadores obtidos de diversos setores produtivos, entre eles o automobilístico e o de papel e papelão, que já registraram neste mês uma recuperação das vendas e retomada da contratação de funcionários. Pode ser que, a partir de outubro, muitos empresários ficaram excessivamente apreensivos com os possíveis efeitos da crise sobre a demanda agregada e fizeram demissões com intensidade, comentou.
Às vezes, companhias adotam um processo de demissão mais profundo do que o necessário porque aproveitam alguma retração eventual de mercado para resolver outros problemas em seus processos de produção, frisou Pochmann. Segundo ele, quando os fatos mostram aos dirigentes de empresas que as dispensas foram exageradas, eles normalmente adotam o regime de horas extras ou implementam outras medidas para elevar a produtividade dos empregados.
Pochmann evitou fazer previsões sobre o desempenho do mercado de trabalho neste ano, dizendo que o emprego estará muito relacionado ao crescimento do País. No entanto, ele não acredita que o Brasil registrará uma expansão muito pequena do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. A mediana das expectativas dos 80 analistas de mercado ouvidos pela Pesquisa Focus do Banco Central indica que o PIB subirá 1,5% em 2009.
Pessoalmente, não descarto que o PIB subirá 3% neste ano, comentou. Segundo ele, tal marca pode ser alcançada caso o nível de atividade confirme nos próximos trimestres a trajetória de recuperação gradual que está sendo registrada por vários setores produtivos neste mês.
Segundo a Fenabrave, as vendas de veículos (automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus) aumentaram 16,12% nos primeiros 15 dias de fevereiro ante o mesmo período de janeiro. Em relação ao mesmo mês do ano passado, foi registrado um aumento de 6,52%.
O Brasil possui um potencial muito grande de expansão, pois tem um mercado interno bastante vigoroso e setores produtivos modernos e bem diversificados, comentou. Além dos investimentos federais do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), há as iniciativas dos governos estaduais em obras de infraestrutura que representam um volume muito expressivo de recursos, afirmou. Ele mencionou o caso de São Paulo, onde o governador José Serra (PSDB) anunciou investimentos de R$ 20,6 bilhões em 2009.


