López Murphy é confirmado novo ministro da Economia argentina
PUBLICAÇÃO
domingo, 04 de março de 2001
Agência Estado De Buenos Aires 
O presidente argentino, Fernando de la Rúa, anunciou ontem a indicação de Ricardo López Murphy como novo ministro da Economia, em substituição a José Luis Machinea, que renunciou ao cargo na sexta-feira. De la Rúa, entretanto, adiou para amanhã uma definição quanto ao restante do gabinente, ao qual pediu renúncia coletiva na noite de anteontem.
O presidente afirmou que Horacio Jaunarena, atual secretário-geral da Presidência, substituirá a López Murphy no Ministério da Defesa, cargo que ocupava até ontem.
De la Rúa disse que o novo ministro da Economia prestará juramento hoje à tarde e manifestou que o objetivo a ser alcançado é reduzir o déficit fiscal e tirar o país da estagnação econômica. López Murphy disse, em rápida entrevista em frente à Residência de Olivos, que vai cumprir com o programa econômico do governo e fazer as adaptações necessárias para permitir a retomada do crescimento do país. O espaço que temos para fazer mudanças na economia é muito reduzido, mas vamos concentrar esforços para honrar nossos compromissos.
Ele tem pela frente não só a reorganização do ministério, mas a urgência de colocar em andamento a economia do país, que se encontra em um dos períodos de maior recessão dos últimos dez anos. Depois de sete horas reunido com o presidente na Residência de Olivos, o novo ministro explicou também que vai buscar o máximo de solvência possível nas contas do governo e uma maior previsibilidade, produtividade e transparência da economia. López Murphy disse, em tom irônico, que enfrentará os problemas com muita tranquilidade, serenidade.
Sobre a possibilidade de o ex-ministro de Economia Domingo Cavallo assumir a presidência do Banco Central da República Argentina (BCRA), De la Rúa disse apenas que Cavallo ratificou a sua vontade de colaborar com o governo.
Além dos sérios problemas fiscais, o novo responsável pela condução da economia argentina terá de convencer a comunidade financeira internacional de que a conversibilidade, em vigor desde março de 1991, será mantida e que, em sua gestão, o governo não pretende desvalorizar o peso. Ao chegar hoje ao Ministério de Economia, Murphy vai encontrar uma agenda carregada de trabalho e, entre as principais tarefas, pode estar a negociação de um waiver (dispensa de cláusula contratual por falta de cumprimento) com o Fundo Monetário Internacional (FMI) por causa do quase certo estouro na meta do déficit fiscal no primeiro trimestre deste ano.


