Lopes prega independência do BC
O ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes defendeu ontem, no Rio, a completa independência da instituição em relação ao governo federal, como acontece nos EUA, Reino Unido, França e Alemanha. Nesses países, os diretores dos bancos centrais cumprem mandato eletivo e prestam contas ao parlamento. Chico Lopes, porém, afirmou que, durante o governo FHC, o BC, onde ocupou outros cargos além da presidência, foi muito independente. Precisa agora institucionalizar isso.
Ele desconversou sobre os motivos de sua saída do BC, fazendo brincadeiras, como rir e fingir que não entendia as perguntas. Sobre o desgaste sofrido durante seus poucos dias à frente do banco, disse apenas: É a vida. Tudo pode acontecer.
Ao contrário de seu antecessor no BC Gustavo Franco, que até hoje ainda se esconde da imprensa, Chico Lopes fez questão de aparecer em público no dia seguinte à sua demissão. Não pediu qualquer tipo de segurança para sair de táxi de seu apartamento em Copacabana (zona sul) para almoçar com mais seis amigos em uma churrascaria no bairro vizinho de Ipanema.
Do restaurante, retornou para casa caminhando, sempre rodeado por jornalistas. Conversou apenas amenidades. Ninguém o reconheceu na rua. Perguntou sobre a cotação do dólar naquele momento (estava em R$ 1,75). Eu preciso parar de me preocupar com esses problemas. Tem gente muito competente para cuidar disso.
Aproveitou para elogiar o sucessor, Armínio Fraga, seu antigo estagiário na PUC. Lopes disse que a economia está sob controle e que o dólar vai cair ainda mais. Passou numa videolocadora, onde tentou alugar o filme Armagedon. Como não estava disponível, contentou-se com Alien 4 e Advogado do Diabo. No caixa da locadora, pagou R$ 9 pelos dois filmes. Ah, se fosse em dólar eu estava lascado!
Questionado sobre a ingerência do FMI (Fundo Monetário Internacional) nas decisões da política cambial, um dos motivos que teriam levado à sua demissão, Chico Lopes riu: Não, não teve nenhum desentendimento.... Ele ainda não sabe se voltará a dar aulas na PUC (Pontifícia Universidade Católica) do Rio ou se voltará para a consultoria Macrométrica.
Defendeu a quarentena, o projeto de lei complementar em tramitação no Congresso que institui o afastamento remunerado de ex-presidentes do BC, por seis meses, antes de serem empregados por companhias privadas. O objetivo é evitar que altos funcionários levem informações confidenciais para o novo emprego. Lopes firmou que pretende cumprir quarentena por conta própria. Acho a quarelizmente, não vou pegar a quarentena remunerada.Otávio Magalhães/Agência EstadoO ex-presidente do BC, Francisco Lopes, sai de locadora na zona sul do RioAgência Folha





