‘‘Tenho o maior interesse em conhecer o teor dessas fitas. A revista deve mostrar. Se há algo comprometedor, porque não publicam?’’ Nesse tom, misturando ironia e revolta, o ex-presidente do Banco Central, Francisco Lopes, reagiu à reportagem publicada pela Revista.
Lopes argumenta que não há consistência nas acusações feitas pela revista. Cita como exemplo uma frase atribuída a ele numa conversa grampeada: ‘‘Aquela reunião não vai acontecer mais’’. ‘‘O que quer dizer isso?’’, indaga Lopes, lembrando que a frase foi dita a um amigo de infância (Luis Augusto Bragança, apontado na reportagem como intermediador na venda das informações), a quem se refere como ‘‘Gugu’’.
‘‘Estou indignado. Fui vítima de um linchamento público na CPI, estou respondendo a dois processos criminais que estão em fase bem avançada e deixando claro que não fiz nada de ilegal. Minhas contas bancárias e a da minha mulher foram abertas por quebra de sigilo; a Receita Federal está fiscalizando minhas declarações de Imposto de Renda e as de minha empresa (a consultoria Macrométrica). Ninguém teve a vida mais vasculhada do que eu’’, argumentou Lopes.
Chico Lopes ainda não sabe se irá processar a revista, mas está decidido a processar o repórter que publicou a matéria, Policarpo Junior. ‘‘Ele foi uma das testemunhas de acusação no processo e, em seu depoimento, primeiro disse que um banqueiro estrangeiro tinha lhe dado as informações sobre o esquema de vazamento, depois disse que não era estrangeiro, era brasileiro. Isso não é sério!’’ (AE)

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