O novo presidente do Banco Central, Francisco Lopes, admitiu ontem que as alterações na política cambial podem até levar a mudanças nos termos do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). ‘‘Pode ser que mude tudo ou que não mude nada’’, disse Lopes. O novo presidente do BC deixou em aberto até mesmo a possibilidade de um novo acordo, mas ressaltou que ainda é cedo para estabelecer as consequências da alteração da política cambial no acordo com o FMI. ‘‘Acabamos de implantar o novo sistema’’, disse.
A equipe econômica terá que apresentar formalmente as mudanças na política cambial à diretoria do Fundo Monetário Internacional (FMI). Lopes admitiu que o acordo assinado no final do ano passado não contemplava mudanças nas taxas de câmbio. ‘‘Vamos ter que voltar a conversar com o Fundo para ver como se se adapta o monitoramento a esta nova realidade’’, disse Lopes.
Os termos do memorando técnico de entendimento assinado entre o governo brasileiro e o FMI tem como pressuposto que o valor do real frente ao dólar seria de R$ 1,295 em dezembro deste ano. Com a nova política cambial anunciada ontem, o valor máximo do câmbio estará entre R$ 1,3530 e R$ 1,3860, dependendo da variação do mercado. O governo também se obrigou a alcançar um superávit primário de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano.
‘‘Não sei qual é a tradição do Fundo em casos assim’’, disse Lopes, um dos membros da equipe econômica que negociou com o FMI no ano passado. Ele garantiu, porém, que não haverá problemas com o organismo internacional. ‘‘Nós continuamos contando com o apoio do FMI, que continuará nos apoiando’’, afirmou Lopes.
O novo presidente do BC acredita que a eventual redução nas taxas de juros, em função das medidas cambiais, poderá compensar o gasto que o governo terá para honrar a parte dos títulos emitidos pelo Tesouro e pelo Banco Central nos últimos meses. A maioria destes títulos está atrelada à variação cambial. ‘‘O impacto deve ser pequeno’’, disse Lopes, que ainda não havia feito uma avaliação detalhada sobre o assunto. Segundo ele, na pior das hipóteses, estes títulos ficarão cerca de 12% mais caros para o governo, em um ano.
O governo também não tem uma projeção dos efeitos no desempenho da economia brasileira da nova política cambial que elevou o valor da moeda americana. ‘‘Não temos estimativas da evolução do prejuízo das pessoas ou empresas que tenham posições em dólar’’, admitiu Francisco Lopes.
Ainda assim, o presidente do BC ressaltou que existem no mercado várias alternativas de se fazer hedge (defesa) cambial. ‘‘Eles podem se defender das possíveis variações do mercado cambial’’, afirmou Lopes. ‘‘As decisões com relação a câmbio têm que ser de longo prazo e a situação de hoje não será a de amanhã.’’

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