Lopes admite possibilidade de juro subir acima de 41%
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sábado, 30 de janeiro de 1999
Agência Folha 
O presidente do Banco Central, Francisco Lopes, acenou ontem com a possibilidade de os juros subirem acima de 41% anuais, rompendo o teto para as taxas básicas imposto pela Tban (Taxa de assistência do BC). Não gostamos de fazer reunião extraordinária do Copom (Comitê de Política Monetária), mas se for preciso nós faremos. O Copom é um conselho do BC responsável pela fixação da Tban, o teto dos juros.
Desde quarta-feira passada a mesa de operações do BC vem promovendo aumentos diários de 1,5 ponto percentual na taxa básica de juros, a chamada Selic, que subiu de 32,5% para 37% anuais. Nesse ritmo, na próxima quinta-feira teoricamente a taxa poderia chegar a 41,5%, superando a Tban, o teto para os juros, hoje fixada em 41% anuais. A Tban é o teto para os juros, a não ser que a Tban seja mudada por uma reunião do Copom.
Lopes apontou o aumento de juros como o caminho para controlar a inflação decorrente da desvalorização do real. Ele disse que o governo vai estabelecer uma meta para a inflação. Segundo ele, essa meta poderá ser explicita ou não. Assim, o governo poderia fixar um percentual de inflação que seria perseguido com movimentos nos juros ou determinar volumes de dinheiro que irão circular na economia.
Ele descartou outras medidas de política monetária, como o aumento da alíquota de recolhimento compulsório sobre depósitos à vista, ontem fixado em 75%. Não haverá nenhuma mudança no compulsório, afirmou. O presidente do BC também negou que o governo esteja negociando o lançamento de bônus no exterior com aval do governo norte-americano ou com garantias reais, como receitas da privatização de empresas do setor elétrico.
Lopes também disse desconhecer medidas fiscais que estejam sendo preparadas pelo governo para compensar os efeitos negativos da desvalorização nas contas públicas. Para ele, as medidas já adotadas são suficientes para atingir a meta indicativa de déficit primário (quanto o setor público economiza para pagar dívidas) de 2,6% do PIB (Produto Interno Bruto) prevista no acordo com o FMI.


