Lopes acena com nova elevação dos juros
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quarta-feira, 27 de janeiro de 1999
Agência Folha 
O presidente do Banco Central, Francisco Lopes, acenou ontem com a possibilidade de promover novas altas de juros e descartou medidas fiscais complementares. Poderemos ter de fazer pequenos movimentos controlados nessa direção, disse Lopes, durante sabatina na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado, referindo-se à possibilidade de aprofundar a alta de juros iniciada na semana passada.
Lopes, que teve sua indicação para a presidência do BC aprovada na CAE por 23 votos a 2, disse que o possível aumento de juros faz parte da estratégia para evitar inflação. A inflação não vai voltar neste país. Não deixaremos. Ele explicou que a desvalorização recente do real provocará aumentos de preços de produtos e insumos importados. É inevitável. Alguns preços vão subir e outros vão cair.
O presidente do BC estimou em 4% a 5% o impacto inflacionário, no ano, de uma desvalorização de 50% do real. Segundo ele, o impacto será reduzido porque a economia brasileira é relativamente fechada. Seu cálculo é o seguinte: as importações correspondem a 8% do PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas no país). Se a desvalorização for de 50% no ano, o impacto na inflação seria de metade de 8% - ou seja, cerca de 4%.
Para ele, o controle da inflação dependerá de ações do governo para manter rigidez na política monetária, evitar a propagação da indexação e movimentos espúrios de preços. Temos de apertar a política monetária. Se a gente afrouxar, teremos inflação, disse. Cobrado por senadores pela forte desvalorização do real, Lopes disse que isso se deve a uma estimativa exagerada do mercado sobre a cotação do dólar, que chamou de overshooting.
Segundo ele, esse fenômeno não deve preocupar, pois são esperados recuos na cotação do dólar nos meses seguintes, como ocorreu em outros países que adotaram o sistema de flutuação do câmbio. É evidente que não há ninguém que acredite que a taxa de câmbio está sobrevalorizada em mais de 30%. O mercado tende a procurar uma taxa de equilíbrio. O presidente do BC sustenta que o Brasil leva uma grande vantagem em relação a outros países que fizeram a desvalorização porque, segundo ele, não há nenhuma situação que preocupe no sistema bancário nacional. Graças ao tão injustiçado Proer (programa de socorro aos bancos, lançado em 1995), temos um sistema bancário sólido, afirmou. Lopes disse que o esforço fiscal empreendido pelo governo até agora é suficiente e não são necessárias medidas adicionais para aumentar a arrecadação ou cortar gastos públicos.
Para ele, com a aprovação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) e do aumento da contribuição previdenciária dos servidores públicos, será possível atingir a meta de superávit primário (quando o setor público economiza para pagar dívidas) de 2,6% do PIB em 1999. Lopes ressalvou que o resultado pode ser atingido se não houver sabotagem de governos estaduais.


