Longa estiagem já afeta algumas culturas
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quinta-feira, 25 de agosto de 2005
Vera Barão<br>Reportagem Local 
O longo período de estiagem começa a causar preocupação em algumas regiões do Paraná. O plantio de feijão das águas e a florada de café podem ser os principais atingidos no Norte do Estado, caso a seca persista por mais algum tempo. A estimativa do chefe da regional da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab) de Apucarana, Paulo Sérgio Franzini, é que a área de feijão, calculada em cinco mil hectares, deve ser afetada.
Por ter ciclo curto, de 90 dias, muitos produtores fazem o plantio de feijão agora para em novembro poder cultivar as principais culturas - soja e milho - na mesma área.
''O plantio já deveria ter iniciado, mas a estiagem os impede de plantá-lo nesse momento'', afirma Franzini.
Prevista para setembro, a florada do café, que também pode sofrer com a demora da chuva, influencia diretamente na produtividade da próxima safra em 2006.
''Pelo fato da safra este ano ser menor, a colheita - que normalmente ocorre em setembro - adiantou. Há necessidade de chuva nos próximos dias para a próxima florada, senão haverá comprometimento da cultura'', explica Franzini, informando que a área de café na região chega a 9,5 mil hectares.
No Paraná a colheita do trigo, cuja área plantada chega a 1,2 milhão de hectares, inicia a todo vapor. Do total da área plantada, 4% estão em condições ruins devido à estiagem no início do plantio; 18% em condições médias e 78% em boas condições.
As informações são do agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral) da Seab em Curitiba, Otmar Hubner, acrescentando que mais de 30% do plantio de trigo no Paraná está em fase de maturação; 42% em fase de frutificação; 12% em floração; e 18% em desenvolvimento vegetativo.
Em relação à cana-de-acúcar, a estiagem não afeta a colheita. ''O clima está favorecendo a safra que deverá ser igual a de 2004. A previsão deste ano é colher 28 milhões de toneladas de cana processada; entre 1,7 a 1,8 milhão de toneladas de oferta de açúcar e entre 1,2 a 1,3 bilhão de litros de álcool'', diz o agrônomo do setor sucroalcooleiro da Seab em Curitiba, Disoney Zampieri. Segundo ele, até ontem já haviam sido colhidos 58% da produção de cana-de-açúcar no Estado.
Para Zampieri, a estiagem registrada no final do ano afetou o rendimento da lavoura, mas ao longo do período a safra vai de vento em popa. ''A safra da cana é diferente e a gente não analisa como grão'', explicou


