Londrinenses vão em busca de oportunidades de franquias
Evento do Sebrae/PR reuniu mais de 25 franqueadores oferecendo a possibilidade de abrir um negócio com investimento inicial abaixo de R$ 1 milhão
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 12 de setembro de 2019
Evento do Sebrae/PR reuniu mais de 25 franqueadores oferecendo a possibilidade de abrir um negócio com investimento inicial abaixo de R$ 1 milhão
Mie Francine Chiba - Grupo Folha 

Ter um negócio próprio, já testado em outros lugares e com suporte do criador era o desejo de visitantes que passaram nesta quarta-feira (11) pelo Salão de Franquias, realizado pela primeira vez em Londrina pelo Sebrae/PR. No local, quem desejava abrir uma franquia pôde encontrar mais de 25 opções de franqueadoras para conhecer, além de receber orientações sobre o modelo de negócio.
Depois de atuar por muitos anos no mercado de brindes, no segmento de calendários, o empresário Flávio Luiz Maldonado resolveu partir o negócio de franquias. “Como esse (segmento de calendários) é um mercado que vem em decadência, estamos precisando encontrar um segmento que substitua. A franquia facilita. Em vez de começar do zero um ramo que você não conhece, a franquia dá assessoria.” No Salão de Franquias, Maldonado e sua filha, Marina Maldonado, consultaram diversos franqueadores, mas davam preferência a negócios que permitissem trabalhar em casa e que exigisse o menor investimento possível. A ideia era investir de R$ 50 a R$ 80 mil no novo negócio.

Fernanda Taciane Marcari também estava em busca de uma franquia da área em que atua, a educação. Professora, Marcari quer abrir uma franquia para ter o seu próprio negócio e por considerar esse um mercado que lhe dá mais garantias. “É um mercado mais estruturado. A chance de não dar certo é mais baixa e as franquias estão crescendo muito.”
Gabriel Fleury já é empresário e também representante comercial e consultor, mas busca investir cerca de R$ 200 mil em uma franquia para diversificar os negócios. “Quero colocar os ovos em outra bandeja”, diz. Depois de ouvir franqueadores de diversas áreas, Fleury disse que vai analisar aquela que considera mais interessante. Mas alguns critérios a serem avaliados por ele são a aceitação no mercado, empatia com o negócio e rentabilidade.
Não é necessário fazer um investimento muito alto para abrir uma franquia. Dentre as franquias presentes no evento, o investimento inicial não passava de R$ 1 milhão. Deisiane Zortea levou ao evento a proposta da franquia que fundou em Curitiba, de secretariado remoto. Os seus franqueados são Pessoas Jurídicas que trabalham à distância, de casa e em horário comercial, atendendo às demandas das cerca de 120 empresas clientes da franquia dentro e fora do Brasil. O investimento inicial é de R$ 9 mil, valor que cobre o treinamento presencial e on-line, suporte, papelaria inicial, endereço eletrônicos e mídias sociais. O interessado precisa apenas ter um computador com internet, telefone e mesa de trabalho – ergonômica - em casa, diz a fundadora. O rendimento parte de R$ 4 mil mensais e pode chegar a R$ 10 mil, dependendo da disponibilidade do profissional.
Na visão de Zortea, o negócio é promissor porque a demanda das empresas por secretariado remoto está crescendo. “A vantagem para a empresa é que ela não precisa ter um secretário em período integral e não precisa ter espaço físico. O secretário já vem qualificado e o relacionamento é de PJ para PJ.”
Uma franquia fundada na região de Londrina quer expandir o negócio principalmente para São Paulo e Santa Catarina. A rede, que tem 32 unidades no Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina, é considerada a maior de lanches prensados no Brasil, afirma o diretor de contas, Juliano Kato. O objetivo é dobrar o número nos próximos dois anos. “O Dog King oferece todo o know how, e o segmento de alimentos é um segmento bom, pois todo mundo precisa se alimentar. A margem de custos operacionais também é bem interessante. Nossos molhos têm uma pegada caseira, o pão é sem conservantes, é um produto mais saudável”, comenta Kato. O custo inicial da franquia parte de R$ 250 mil e o faturamento é de cerca de R$ 100 mil mensais.
MORTALIDADE DE FRANQUIAS É MENOR QUE DE NEGÓCIOS INDEPENDENTES
Para Leda Tarabe, consultora do Sebrae/PR, as franquias são uma boa oportunidade para quem tem um dinheiro guardado e vontade de empreender. Elas têm a vantagem de ser um tipo de negócio já testado no mercado e que oferece suporte ao empreendedor. “Como o negócio é dele, o franqueador tem que ajudar os franqueados a crescerem. Uma boa franquia é aquela que estabelece uma relação de ganha-ganha”, explica a consultora. Por esse motivo, é um modelo de negócio com possibilidade de sobrevivência maior que os demais, opina Tarabe. Segundo dados da ABF (Associação Brasileira de Franquias), em 2018, o fechamento de franquias foi de 3,9%, sendo que os negócios independentes têm uma taxa de mortalidade que chega a 50% no primeiro ano de vida.
A projeção para o setor de franchising são de crescimento de 7% no faturamento e 5% no número de unidades, ainda segundo a ABF. O Paraná tem a quarta maior participação no mercado em faturamento. No segundo trimestre, o Estado tinha uma fatia de 5,8% do faturamento total do setor de franchising e de 6,4% do número de unidades em todo o País. Nesse período, o faturamento total do mercado foi de R$ 43,1 bilhões, com crescimento de 5,9% em relação ao mesmo intervalo do ano passado.
“De forma geral, as pessoas buscam as franquias porque apostam em um segmento testado, passado e desenvolvido”, diz Lisandro Corazza, presidente da Afepar (Associação de Franqueadores do Paraná). “A probabilidade de sucesso de um empreendedor que busca uma franquia é muito maior que quem monta um negócio por si só”, ele continua.
Para quem se interessa por ter uma franquia, a consultora do Sebrae/PR recomenda pesquisar bem. As franquias têm um documento chamado COF (Circular de Oferta de Franquia), que costuma reunir todas as informações que os empreendedores precisam para tomar a decisão. Mas algumas informações importantes a se buscar são o investimento inicial, as taxas envolvidas, o desempenho das franquias da rede já existentes, o mercado para aquele tipo de negócio na região e a viabilidade financeira. Além disso, o empreendedor precisa ter afinidade com a área do negócio em que está investindo.


