Londrina
‘‘São medidas importantes, mas deveriam ter sido anunciadas há mais tempo’’, resume o superintendente da Sercomtel S.A., Rubens Pavan. ‘‘Um pacote que trata da redução de gastos é sempre bem-vindo, mas se você toma medidas preventivas, na hora certa, as consequências são menos drásticas, menos sofridas’’.
Pavan elogia algumas decisões - como o corte generalizado de incentivos fiscais - e vê contradições em outras: a demissão de 33 mil servidores, por exemplo, num momento em que o próprio governo ataca o desemprego. ‘‘O BNDES agora terá um papel ainda mais importante para o desenvolvimento do País. Só precisa desburocratizar suas ações’’.
Everson Xavier, presidente da Associação das Pequenas e Microempresas do Norte do Paraná, fala em desânimo, pessimismo. ‘‘O que eu ando ouvindo não é nada estimulante. Muitos chegam a falar que estão esperando receber um ‘troco’ no final do ano para fechar as portas em janeiro, fevereiro’’. Ele prevê recessão e mais desemprego ainda no País.
Para o economista Ismael Mologni, professor da Universidade Estadual de Londrina, ‘‘o pacote é o que se temia; uma paulada no povo’’. Ele pergunta: que moeda forte é essa que sai do bolso do cidadão para sustentar o governo? ‘‘O problema é o câmbio’’, explica. ‘‘O câmbio foi muito valorizado; é isso’’.
Mologni traça um cenário de recessão e, consequentemente, mais desemprego, mais sonegação fiscal e queda da renda líquida da população. ‘‘O que o governo fez foi tratar muito mal de uma ferida no pé; agora é obrigado a cortar a perna’’. Na visão dele, a equipe econômica não tinha nenhuma política estratégica para enfrentar situações como esta, causada pela queda das bolsas no mundo.
‘‘Todo mundo viu eles se reunindo às pressas para lançar um pacote contraditório ao discurso de que o Brasil precisa crescer 7% ao ano. Reajuste fiscal é crescimento da economia, é melhor distribuição de renda. O que estão fazendo é exatamente o contrário: um pacote recessivo para manter o câmbio valorizado.’’
Os empresários Paulo Muniz (exportação de frangos) e Flávio Meneghetti (revenda de veículos) disseram à Folha que preferem ser melhor informados antes de expressar as suas opiniões. E recomendam o mesmo para a população em geral. ‘‘No nosso setor’’, afirma Muniz, ‘‘sentimos muito a falta de crédito com juros internacionais e queremos a privatização dos portos para baratear as transações; ainda não sei o que o governo vai oferecer’’.
Meneghetti diz que prefere acreditar que o impacto das medidas não será tão desastroso como parece. ‘‘Vejo aí um efeito psicológico; a insegurança, o medo e até o desconhecimento do que é câmbio, por exemplo, surtem esse efeito. Se o dólar não sofrer uma maxi, se o governo não mexer no câmbio, são medidas suportáveis; vamos aguardar’’.

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