Londrinenses revelam o que deixaram de consumir
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quinta-feira, 01 de abril de 2004
Lúcio Flávio Moura<br> Reportagem Local 
A vontade ou a necessidade de consumir permanece, mas adiar é preciso, explicam londrinenses ouvidos pela Folha. O ensacador Marcioneu Ivo da Silva, 49 anos, votou em Lula mas não acredita em recuperação de sua capacidade de consumir ainda neste governo. Como exemplo de como tem gastado menos nos últimos tempos, o trabalhador lembra logo de um bem que não se pode manusear mas que para ele era uma fonte importante de satisfação. A cada três meses, ele deixava Londrina para uma temporada na praia. ''Camboriú faz uma falta danada, rapaz''.
A estudante Verônica Sasaki, 17 anos, pensa em um dia recuperar hábitos que eram bem mais frequentes como tomar com iogurte ou comer biscoitos. Hoje, quando vai ao shopping, olha mais vitrine do que compra. ''Gasto muito menos com roupa do que um tempo atrás''.
O comerciante Luiz Henrique Arns, 42, tem na ponta do língua as privações provocadas pelo mau momento econômico. ''Deixe o lazer um pouco de lado: vou a menos a teatro, a cinema, cancelei a TV a cabo e assinaturas de jornais. Tudo isso me faz muita falta''.
José Marcos Gomes, 34 anos, também comerciante, lembra que o corte no consumo foi em diversas áreas. ''Vestuário e calçados, lazer, e principalmente tratamento médico, uma coisa que você vai sempre adiando para amanhã.
A esperança da indústria e do comércio de bens de consumo de que, com a recuperação da renda, a população deverá voltar às compras a fim de compensar o tempo perdido corre o risco de ser frustrada. Os recursos estão sendo, cada vez mais, engolidos de um lado por impostos e de outro por seguros, planos de previdência e aumento do patrimônio.
''O dinheiro do consumo está sendo alocado para o governo ou para a prevenção do futuro'', definiu Paulo Secches, diretor-presidente da consultoria InterScience Informação e Tecnologia Aplicada, que realizou um extenso estudo para detectar novos valores e comportamentos do consumidor, com vistas a atitudes mercadológicas adequadas.
A pesquisa, realizada em sete capitais e quatro municípios do interior do País com 1.349 pessoas, revelou que cerca de 75% das pessoas pretendem continuar trabalhando depois de se aposentarem, o que mostra a necessidade de se manterem em atividade para garantir a organização financeira. Além disso, o aprofundamento da crise no sistema previdenciário oficial está levando as pessoas a tomarem decisões concretas para evitar depender apenas dele. (Com Agência Estado)


