Fugir do Custo Brasil é a intenção de um grupo de 12 empresários londrinenses, que, no mês passado, visitou Cidade do Leste, no Paraguai. Eles foram conhecer o funcionamento das maquiladoras, empresas estrangeiras que recebem incentivos do governo para se instalar no país. O grupo voltou entusiasmado com as possibilidades de redução de custos caso decidam empreender por lá.
O Paraguai não cobra imposto de importação das maquiladoras. Essas empresas, caso oriundas do Mercosul, são obrigadas a agregar um mínimo de 40% de valor à mercadoria produzida ou importada por elas. Se pertencerem a outros países, o índice que precisa ser agregado é de 60%. Como valor agregado, podem ser considerados frete, aluguel, embalagens, água, luz, entre outras despesas. E o único imposto cobrado é de 1%.
Administrador da MGL Mecânica de Precisão, Marcus Vinícius Gimenes diz ter ficado empolgado com as maquiladoras que conheceu em Cidade do Leste. "Sendo muito conservador, nossa empresa teria uma margem líquida de lucro no mínimo 10% maior se estivesse no Paraguai como maquiladora", conta. Ele está estudando a possibilidade de levar a MGL para lá. "No Brasil, quando a gente compra matéria-prima, a gente paga IPI, ICMS e PIS/Cofins. As maquiladoras não têm esse custo. Não pagam imposto sobre os insumos", ressalta.
Também integrante do grupo, Francisco Pita, da MultQuímica, diz ter ficado surpreso com o que viu no Paraguai. "Ao mesmo tempo fiquei triste em constatar que lá a burocracia é menor e os custos também", afirma. Ele conta ter conhecido maquiladoras de grande porte e que pretende empreender no país vizinho no futuro. "Só não vou agora pois acabo de construir uma planta de 5 mil metros quadrados em Londrina", explica. A estimativa do empresário é que, como maquiladora, sua empresa teria uma redução de 40% nos custos.
Especializado em direito empresarial, o advogado Luís Hasegawa acompanhou o grupo ao Paraguai. Ele enumera uma série de outras vantagens de se investir no país vizinho: os terrenos, a construção e a energia elétrica são bem mais baratos. A legislação trabalhista é mais favorável ao empregador e os encargos trabalhistas são bem menores. "Uma coisa que chamou a nossa atenção é que todos os empresários que nós visitamos atestaram que o negócio é sério por lá. Essa nossa visão preconceituosa sobre o país não corresponde à verdade", afirma.
Segundo ele, os salários paraguaios são praticamente os mesmos dos brasileiros, mas os encargos somam 25% da folha enquanto, no Brasil, chegam a 80%. "Outra vantagem é que lá, quando um empregado sai da empresa, ele homologa seu acerto no Ministério do Trabalho e, a partir daí, não pode mais apresentar reclamação trabalhista", explica.
Os empregados paraguaios de empresas estrangeiras, diz o advogado, costumam faltar menos e se dedicar mais ao trabalho. "As maquiladoras oferecem condições melhores que as empresas locais, então eles se tornam mais fiéis", acredita. Mesmo atuando como advogado, Hasegawa está propenso em abrir uma maquiladora. "Estou estudando possibilidades, preciso ter um mercado garantido. Vejo uma oportunidade muito grande por lá", declara.

Imagem ilustrativa da imagem Londrinenses pensam em investir no Paraguai para reduzir custos
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