O chefe de planejamento do Departamento de Aviação Civil (DAC), Jorge Godinho Barreto Neri, reconheceu que a situação do Aeroporto de Londrina ''não é a ideal para seus usuários''. A afirmação foi feita na semana passada para o deputado federal Alex Canziani, após decisão do próprio DAC, que sugeriu redução nos preços das passagens aéreas das companhias TAM e Varig para os vôos com destino a Curitiba e São Paulo, até 70% superiores aos praticados em aeroportos como o de Maringá. Após da intervenção do DAC, as passagens para São Paulo foram reduzidas em 23%. Os vôos para Curitiba continuam com os mesmos preços.
A redução das tarifas foi considerada pelo deputado ''um avanço, mas não o suficiente'', diante da situação anterior. A liberação para que outras companhias aéreas atuem nas linhas em questão, outra exigência de lideranças políticas da cidade, ainda não poderá ser atendida e foi motivo de divergência de opiniões entre o coordenador do curso de ciências aeronáuticas da Universidade Norte do Paraná (Unopar), Jonas Liacsh, e a assessoria de imprensa do DAC.
Segundo Liacsh, não existiriam problemas técnicos para que a Gol (que teve seus serviços suspensos desde março) ou qualquer outra companhia atuasse em Londrina. A questão da falta de slots em Congonhas (horários para pousos e decolagens), primeira justificativa do DAC para a suspensão dos serviços da Gol em Londrina, foi rechaçada pelo coordenador. ''Realmente não procede. Ao meu ver, é uma medida que tem a intenção de proteger as companhias e evitar a concorrência desenfreada. Quem perde é o consumidor.'' Liacsh explicou ainda que o problema de falta de slots poderia ser facilmente resolvido, já que vôos comerciais têm preferência sobre executivos, que atualmente ocupam uma pequena parcela do Aeroporto de Congonhas. ''Claro que defender as companhias têm seus aspectos positivos. Se muitas falirem, a concorrência diminui do mesmo jeito. Mas da forma como está, acredito muito mais em decisão política do que técnica'', continuou.
A assessoria de imprensa do DAC negou que a opção por redução de vôos no aeroporto paulistano tenha objetivos comerciais, para proteger as companhias. Segundo o departamento, os vôos foram reduzidos para ''um nível que pudesse garantir a segurança dos usuários.''
A possibilidade de fusão da TAM com a Varig ajuda a fomentar especulações sobre atuação de cartel em Londrina. No caso de efetivação da fusão, Liacsh acredita que os preços das tarifas aéreas seriam facilmente controlados na cidade. ''Por isso é que eu torço pela volta da Gol, assim como todo mundo.''
Ao ser informado sobre as justificativas do DAC para a suspensão dos serviços da Gol em Londrina, Canziani questionou a falta de slots. ''Se a cidade já teve mais de 40 vôos diários para São Paulo, como não pode haver espaço para pousos hoje?''. O deputado também assumiu o compromisso de cobrar do DAC atitude com relação aos vôos para Curitiba, que não tiveram tarifa reduzida.

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