Londrinense vence concurso nos EUA
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domingo, 28 de dezembro de 1997
Carina Paccola Londrina 
César AugustoProva de fogoMônica Barroso e o prêmio conquistado em novembro na Universidade do Texas: O fato de sermos brasileiros ajudou em nossa performance A londrinense Mônica Mazzer Barroso, de 22 anos, está encerrando o ano com um grande motivo para comemorar: ela e mais três alunos do curso de Administração da Fundação Getúlio Vargas (FGV) receberam a premiação máxima num concurso promovido pela Universidade do Texas, nos Estados Unidos. Pela primeira vez, a Universidade do Texas abriu o seu concurso de estudos de casos de empresas para universidades estrangeiras.
Para enviar seus alunos aos EUA, a Fundação Getúlio Vargas fez uma seleção interna. Dos seis grupos classificados na faculdade, a equipe de Mônica foi a vencedora. Faziam parte do grupo dois colegas de quem é bastante amiga desde o início do curso, André Basto Lerche Vieira, de 22 anos, e Stefan Colza Lee, de 21 anos; e ainda Cláudia Blaj Neufeld, de 21 anos, que trabalhava com Mônica. Nosso grupo era bastante heterogêneo e integrado, conta.
Durante dois meses, os quatro se dedicaram a analisar casos de empresas. Segundo Mônica, eles estudaram finanças, estratégia, marketing e outros temas que consideravam importantes para o concurso. No final de outubro, os quatro rumaram para o Texas. Havia mais 14 grupos participantes: oito de universidades americanas, dois de Hong Kong, um do Canadá, um do México, um da Tailândia e um da Noruega.
Na noite do dia 29, os grupos receberam o caso que deveria ser analisado. Eram mais de 300 páginas, com texto em inglês. O desafio era definir uma estratégia mercadológica para a Gateway 2000, uma grande empresa de venda direta de computadores pessoais. Os grupos tinham 60 horas para preparar seu estudo.
Fechados num quarto de hotel, onde estavam hospedados todos os grupos, na cidade de Austin, os brasileiros concentraram os seus esforços para o caso. Mônica diz que, das 60 horas, eles devem ter dormido de 10h a 12h. Os estudantes brasileiros aplicaram todos os seus conhecimentos, principalmente de finanças, para checar todas as opções de mercado e escolher a melhor para a Gateway 2000.
No início deste ano, a Compaq fez uma proposta de comprar a Gateway por US$ 7 bilhões. A equipe brasileira não achou que essa seria a melhor alternativa e aconselhou uma reestruturação interna da empresa em vez de vendê-la. A Gateway deveria investir no mercado corporativo. Outra recomendação do grupo foi expandir os negócios no mercado externo, especialmente na Amércia Latina, já que a empresa tem um mercado sólido na Europa e Ásia.
A prova estava marcada para o dia 1º de novembro. Até o dia 31 à noite, os brasileiros haviam discutido muito o caso, mas ainda não tinham preparado a apresentação. Gastamos muito tempo discutindo, prevendo as perguntas que iriam nos fazer. Isso nos ajudou muito durante a apresentação, lembra Mônica.
Na manhã de sábado, uma prévia com todos os grupos participantes fez a primeira seleção, classificando apenas três equipes: a do Brasil, do Canadá e dos Estados Unidos. Para a final, durante uma hora e 15 minutos cada um dos três grupos teve que enfrentar uma bateria de perguntas disparadas por nove juízes. Foi um verdadeiro bombardeio. Cercavam-nos por todos os lados, conta. A proposta e o desempenho dos brasileiros lhes valeram o primeiro lugar e a seguinte observação de Court Huber, o examinador que elaborou o caso a ser estudado: Na vida real não se pode ir muito além de onde vocês chegaram.
Mônica afirma que o fato de serem brasileiros ajudou na performance do grupo. Os examinadores queriam avaliar como reagíamos sob pressão. Tivemos muito jogo de cintura e presença de espírito para manter nossa linha de argumentação e não cair nas armadilhas preparadas pela banca, diz. O grupo dos americanos, por exemplo, deu um verdadeiro show na apresentação, mas ficou perdido quando as perguntas fugiam do previsível.
Mônica diz que a experiência vai servir para sempre. Além de contar pontos no currículo, foi muito bom manter contato com estudantes de vários partes do mundo, ver como se trabalha em grupo, sob pressão, e em espaço de tempo tão pequeno. No próximo dia 6, Mônica vai para a Itália para um curso de seis meses na Universitá Commerciale Luigi Bocconi, em Milão.
Mônica fala italiano, inglês e alemão. Durante o curso colegial, fez pausa de um ano para morar em Aachen, na Alemanha. Depois de concluir o colegial em Londrina, Mônica prestou vestibular para Medicina. Não passei. Fiz um ano de cursinho em São Paulo e resolvi prestar vestibular para Administração por influência dos meus colegas de classe. Na verdade, não sabia direito o que fazer.
Desde o início do curso na Fundação Getúlio Vargas, em 94, ela estuda e trabalha. Nos primeiros 18 meses, trabalhou numa organização estudantil da própria faculdade; depois fez estágio numa empresa alemã como consultora. Nos últimos 18 meses, trabalhou num banco de investimento do grupo Itaú, acumulando no último semestre mais um serviço na FGV no setor de parcerias com empresas. Em Londrina, Mônica estudou nos colégios Vicente Rijo, Mãe de Deus e Universitário.
Ela diz que nunca esteve tão certa da escolha que fez ao optar por Administração. Mas outra dúvida a persegue. Quando concluir o curso, no final do ano que vem, Mônica diz ainda não saber em que área exatamente vai trabalhar. O sucesso da experiência na universidade norte-americana, certamente, vai facilitar a decisão.


