Londrinense reduz gastos na Páscoa
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 28 de março de 2018
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 

Quase 70% dos brasileiros 104 milhões de pessoas - deverão fazer ou já fizeram compras para a Páscoa esse ano. O índice é maior que em 2017, quando a intenção de compras ficou em 57%. Isso é o que apurou o SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) e a CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas). Mas esse aumento expressivo na vontade de consumir não se refletiu nas lojas de Londrina até agora. Comerciantes dizem que o movimento está fraco ou próximo ao do ano passado. Eles guardam esperanças de que as vendas aumentem nesta quinta-feira (29) e no sábado (31), quando as lojas do comércio de rua ficam abertas até as 18 horas.
Dono da Chocolataria Gramado, no shopping Com-Tour, Flávio Vicentini queixa-se que o movimento na sua loja anda fraco. "O começo do ano foi bem parado. Esperava que seria melhor o movimento (na Páscoa). Mas não é só no meu segmento. Não sei se as pessoas não têm dinheiro, se estão com medo de gastar ou achando caro..." O comerciante diz esperar uma melhora nas vendas nesse fim de semana, inclusive no feriado, quando também abre a loja para receber os clientes.
Luciano Matsumoto, proprietário de franquias da Brasil Cacau em Londrina, diz acreditar que as vendas ficarão estáveis esse ano. A marca, segundo ele, aumentou investimentos em mídia e, nos últimos dois anos, intensificou as promoções. Para essa Páscoa, a loja oferece descontos na segunda unidade comprada de alguns produtos específicos.
Outra constatação entre os lojistas é a procura por "lembrancinhas". Matsumoto conta que o tíquete médio não variou, mas aumentou o número de clientes em busca de produtos de valores menores ao invés de ovos mais caros. O mesmo diz Manuella Tamarozzi, sócia da Duas Amigas Mil Receitas junto com Bárbara Mattos, doceria e cafeteria no centro da cidade. Segundo ela, a procura por ovos de Páscoa maiores continua igual ao ano passado, mas a busca por ovos menores aumentou. Como resultado, ela diz esperar vendas um pouco melhores que no ano anterior. "Achamos que está igual que no ano passado, um pouco melhor. Tem muita gente procurando lembrancinha com qualidade, como ovos menores, caixa de brigadeiros, mini ovos, caixa de bombons."
OTIMISMO
A Abicab (Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados) afirma que a Páscoa é a data mais importante do calendário anual do segmento, mas em 2017 o volume de produção ficou 38% abaixo ao do ano anterior. Foram produzidas quase 9 mil toneladas de chocolate no ano passado, o equivalente a 36 milhões de ovos.
"Nos últimos anos vimos um comportamento atípico do setor que, concomitante com uma forte crise econômica, obrigou as empresas a reverem suas estratégias e se adequarem ao novo cenário. Estamos otimistas que os números deste ano comprovarão o amadurecimento da indústria e sua capacidade de organização em uma economia mais estável", afirmou Ubiracy Fonseca, presidente da Abicab, em nota enviada pela assessoria de imprensa.
Mesmo com retração, o Brasil é um dos países com o maior volume de vendas de Páscoa no mundo, e indicadores de consumo de chocolate, expectativa dos supermercados e vendas do Natal do ano passado reforçam o otimismo para um ano melhor, afirma a entidade.
TÍQUETE MÉDIO
Segundo a pesquisa da CNDL e SPC Brasil, a maior parte dos consumidores afirmou que vai gastar a mesma quantia que no ano passado e 36% disseram que vão gastar menos. Apenas 15% afirmaram que vão gastar mais. O tíquete médio segundo a pesquisa ficou em R$ 135,03.
Dentre os que comprarão presentes para essa Páscoa, 91% revelam que farão pesquisa de preços. Os ovos de chocolate, claro, são prioridade para 61% dos entrevistados, mas 51% optarão pelos bombons e 48% pelas barras de chocolate. A maioria vai comprar chocolate ou ovos para o filho (59%), o cônjuge (42%) ou a mãe (37%).
De fato, os consumidores não querem abrir mão de presentear as pessoas mais próximas. O corretor imobiliário Fernando Lopes diz que presenteia os tios todos os anos com ovos de Páscoa, mas disse que vai deixar para essa quinta-feira (29) a pesquisa e a compra dos produtos.
A supervisora de parque Gisele Murta, junto com a mãe Jonatha Murta, procurava um ovo de chocolate para o namorado, na tarde desta quarta-feira (28). A mãe desconversou quando perguntada se daria ovos de páscoa para os filhos. "Estou pensando. Não sei se merecem", brincou. Mas disse que sempre presenteia os filhos nessa época do ano. "Sempre com ovo, cesta..." Porém, mesmo com a situação financeira melhor em casa, a família diz que faz pesquisa para conseguir o melhor preço.
Entidades do setor ainda não têm projeções sobre as vendas de chocolate e ovos de Páscoa esse ano.


