Londrinense já pode comprar remédios com até 90% de desconto
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terça-feira, 11 de abril de 2006
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
Usuários de medicamentos de uso contínuo contra hipertensão e diabetes terão acesso a remédios mais baratos em Londrina, Arapongas e Cambé. Os produtos vendidos pela Farmácia Popular, que podem ter até 90% de desconto, já estão sendo comercializados em Londrina em duas redes de farmácias: Vale Verde e Drogamed. Para comprar o medicamento o consumidor deve apresentar a receita médica e o seu CPF. No entanto, a data de emissão da receita deve ser inferior a seis meses.
A Farmácia Popular é um programa do governo federal que tem por objetivo ampliar a assistência farmacêutica da população, independentemente do poder aquisitivo do usuário. Estão a disposição dos usuários oito princípios ativos (veja quadro) dos medicamentos mais utilizados que já estão no mercado. Esses remédios foram escolhidos conforme a segurança, eficácia terapêutica, qualidade e disponibilidade dos produtos.
Na região, o programa vai funcionar a partir de convênios firmados entre o Ministério da Saúde e redes de farmácias particulares. Neste caso, os descontos podem variar de 50% a 90% e estão incluídos medicamentos de marca, genéricos e similares. Neste caso, o governo federal definiu um valor de referência de cada medicamento a ser pago às farmácias. A diferença de preços - entre o valor pago pelo governo e o cobrado pelos estabelecimentos - terá que ser arcada pelo consumidor.
Segundo o diretor comercial da Rede de Farmácias Vale Verde, Rubens Benedito Augusto, o Ministério da Saúde disponibilizou um programa do DataSUS (banco de dados do Sistema Único de Saúde) que os atendentes, no momento da compra, terão que consultar o CRM do médico e o CPF do cliente. Somente esse sistema é que vai liberar a compra do remédio. ''Em geral, essa consulta é rápida, leva menos de um minuto. Se, eventualmente, ocorrer alguma demora é que o sistema do ministério pode estar fora do ar'', informa.
Dois sistemas - O programa Farmácia Popular tem dois sistemas de funcionamento. O primeiro, lançado em junho de 2004, opera com farmácias próprias construídas por municípios, Estados ou entidades filantrópicas. Nesse caso, estão a disposição dos usuários mais de 95 itens para tratamento da hipertensão, asma, alergias, gastrite, além de anticoncepcionais e preservativos masculinos. Em Londrina está funcionando o sistema de convênio, implantado há quase um mês, e por isso a quantidade de remédios oferecida é menor.
Para se cadastrar, as farmácias têm que estar em dia com as obrigações previdenciárias, tributárias e atender a todas as exigências da Vigilância Sanitária. Além de contribuir para reduzir o impacto no orçamento familiar causado pela compra de remédios, o programa visa diminuir os gastos do SUS com as internações que são provocadas pelo abandono do tratamento (no caso dos medicamentos de uso contínuo). A partir do início do programa, a estimativa do programa é atender cerca de 3,5 milhões de novos pacientes, quantidade de pessoas que fazem o tratamento na rede privada.
Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2003 foram gastos R$ 380 milhões em internações provocadas por doenças coronarianas, como infarto, e R$ 142 milhões em internações devido às doenças cérebro-vasculares, como derrame. Os valores são 21% e 18%, respectivamente, maiores do que os de 2002.


