Londrina terá Câmara de Comércio Brasil-China
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quinta-feira, 17 de março de 2005
Alan Maschio<br>Reportagem Local 
A Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China (CCIBC) está procurando parceiros para abrir um escritório em Londrina. O anúncio foi feito ontem pelo presidente da CCIBC, Charles Tang, que esteve na cidade para um evento sobre comércio exterior promovido pela Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil). A sucursal da Câmara deve estar instalada na cidade em até dois meses, trazendo facilidades burocráticas para empresários da região interessados em ingressar no mercado asiático. O objetivo é aumentar as trocas comerciais entre os dois países principalmente nos segmentos de confecção, laticínios e agroindústria, vocação identificada por Tang como a de maior potencial no norte do Paraná.
Segundo Tang, o agronegócio responde atualmente por 80% das relações comerciais entre os dois países e o interesse pela região de Londrina deve-se principalmente à necessidade de atendimento da demanda por produtos que garantam a subsistência dos trabalhadores rurais da China e a saúde da população. ''Por isso, queremos ampliar este índice com produtos como os derivados do leite, um setor onde a região de Londrina tem grande destaque. Mas o aumento da participação do Brasil na importação de móveis e confecções também é vista com muito interesse pelo governo chinês'', destacou.
Para isso, a instalação de um escritório da CCIBC em Londrina é vista como fundamental. Se confirmada em dois meses, conforme a previsão de Tang, Londrina passa a ser a segunda cidade do Estado e a 17 do Brasil a contar com apoio legal e burocrático para o estabelecimento de relações comerciais com a China. No Paraná, somente a capital Curitiba tem um escritório da CCIBC, enquanto a região de Londrina conta com pelo menos 4 mil indústrias com potencial para exportar, observando-se fatores como qualidade de produtos e disponibilidade de serviços de logística.
Obstáculos como as barreiras tributárias e culturais são vistos pelo empresariado londrinense como as maiores dificuldades para iniciar a penetração em mercados como o asiático, onde alguns produtos - como os do agronegócio - são taxados em até 40%. ''Outro fator é a publicidade. São necessários anos de estudo para saber como agradar a um mercado tão peculiar como o chinês'', afirmou o diretor de marketing internacional da Companhia Cacique de Café Solúvel, Haroldo Bonfá. A empresa, que exporta 98% do café solúvel que produz, se faz presente em mercados consumidores de 86 países e testa formas de ingressar na China há pelo menos 30 anos.
''Negociamos com os chineses desde 1971, quando adquirimos a marca Pelé, e só o que conseguimos foram vendas esporádicas'', contou. Ainda segundo Bonfá, os negócios com o Oriente devem ser efetivados neste ano, depois de avaliadas as vendas de um lote experimental feitas em 2004. ''Insistência faz parte do jogo'', avisou.


