Se dependesse somente da sua rede hoteleira, Londrina estaria apta para receber grandes eventos, até mesmo para ser subsede da Copa do Mundo em 2014. Um levantamento do Londrina Convention & Visitors Bureau revela que a cidade tem 6.600 leitos em hotéis, um número muito alto se comparado com municípios do mesmo porte e até com as capitais.
O Bureau dividiu a população da cidade (cerca de 510 mil pessoas) pelo número de vagas e chegou ao índice de 73 habitantes por leito. Em Curitiba, por exemplo, essa relação é de 104 habitantes por leito e, em Maringá, de 116. A comparação com São Paulo e Rio de Janeiro mostra diferença ainda maior. Os dois principais centros urbanos do País têm respectivamente 177 e 189 habitantes por leito de hotel.
Mas uma oferta tão grande em Londrina provoca baixa média de ocupação anual e faz o valor da diária ser bem menor. ''Temos a maior oferta de leitos por habitante no País'', afirma Bruno Veronesi, da Veronesi Hotelaria, que mantém seis unidades em Londrina e região.
Segundo ele, a taxa média anual de ocupação na cidade é de 55%. ''É fraca, em torno de 10% abaixo das demais cidades'', declara. De acordo com Veronesi, de janeiro até o carnaval, a ocupação cai para, no máximo, 40%. ''Londrina tem uma grande rede hoteleira e não vai precisar de novas unidades num período de 10 anos'', analisa.
O empresário ressalta que a consequência da baixa ocupação é o valor menor da tarifa. ''Uma diária num hotel de mesmo padrão custa em Goiânia o dobro do que aqui'', exemplifica. A reportagem pesquisou no site de uma grande rede de hotéis e confirmou esta informação. A diária de Londrina é a mais barata entre seis cidades localizadas no interior (ver quadro).
Segundo Veronesi, se fosse acompanhar o mercado das demais cidades, a tarifa do Boulevard da Avenida Higienópolis, por exemplo, deveria ser de R$ 250 mas está em R$ 160.
Gerente do Bourbon de Londrina, Leandro Mosca concorda que há muita oferta de leitos. ''São muitos hotéis para poucos eventos. É preciso aproveitar melhor a nossa rede, tentar atrair mais eventos'', afirma. A empresa, que abriu seu primeiro hotel em Londrina há 48 anos, tem hoje 11 unidades no País e uma no Paraguai. ''A diária em Londrina é mais barata cerca de 20% na comparação com Joinville e Cascavel'', conta.
Reinaldo Cassimiro da Costa Junior, gerente do Cedro Hotel, diz que a rede de Londrina é uma das melhores do País e confirma a baixa média de ocupação anual. ''Tivemos taxa de 58% em 2010. Poderia ser bem maior'', afirma. De acordo com ele, Londrina tem ''totais condições'' de ser subsede da Copa. ''Temos leitos suficientes para receber seleção, torcedores e a mídia com tranquilidade'', garante.
O presidente do Sindicato dos Hotéis, Alzir Bocchi, também considera que a cidade está bem servida em termos de hospedagem. ''O número de leitos cresceu cerca de 25% nos últimos cinco anos'', explica. São 54 hotéis que empregam 3.200 pessoas.

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