Londrina teve o maior aumento no preço médio da gasolina do Paraná nos últimos 15 dias, quando o valor saltou de R$ 2,92 na última semana de janeiro para R$ 3,29 na primeira de fevereiro. A diferença de R$ 0,37 representa alta de 12,6% no valor pago pelo consumidor, segundo o Sistema de Levantamento de Preços da Agência Nacional do Petróleo (ANP).
O reajuste de PIS/Cofins proposto pelo governo federal e repassado pela Petrobras, no entanto, foi de R$ 0,22 e a variação média em 15 dias registrada pela ANP nas distribuidoras, de R$ 0,08. Proprietários de postos da cidade dizem que o custo da gasolina foi maior do que o registrado pelo levantamento de preços da agência e giraria em torno de R$ 2,85, para estabelecimentos com bandeira. Ainda, confirmam que as vendas diminuíram nos últimos dias por causa do valor.
Segundo a pesquisa, Londrina teve a maior diferença nos valores também do etanol. O valor médio do litro passou de R$ 1,90 na última semana de janeiro para R$ 2,25 nos sete dias seguintes, o que representa R$ 0,34, ou 18,4% a mais. A variação na distribuidora foi de R$ 0,09 no mesmo comparativo.
O valor da cidade contrasta com o de Cambé, município a 12 quilômetros de distância, onde os postos elevaram o valor em R$ 0,17, com preço médio de R$ 3,11. É importante destacar ainda que o custo nas distribuidoras para a cidade vizinha não mudaram e, conforme a ANP, ficaram em R$ 2,59 nas duas semanas.
Proprietário do Auto Posto Cupimzão Londrina, Diogo Decker diz que a alta no mercado londrinense se deve à forte concorrência nos últimos meses. Apesar de considerar que recebe combustível pela bandeira de distribuidora mais cara, ele afirma que o aumento no custo médio deve ser bem maior do que o registrado pela ANP e que chegaria a R$ 0,25. "A distribuidora estava até com margem negativa e isso vem da guerra de preços em Londrina, que nos matou um pouco na hora de repassar essa alta. O valor ideal é o atual."
Ele conta que o consumidor reduziu a demanda. "Quem antes enchia o tanque, agora coloca R$ 20", diz Decker. O gerente de outro posto, que pediu para não ser identificado, também disse que o movimento despencou e que a tendência é que os preços caiam.
Um proprietário de posto, que também não quis ser identificado, diz que a distribuidora já avisou que promoveu o aumento de forma escalonada. Ele disse já ter pago mais do que a ANP registrou por litro e que trabalha com uma margem de lucro próxima a 10%, necessária para pagar os custos. "Uma saída seria o tabelamento do preço, ainda mais por ser um produto distribuído pelo governo. Poderia ter um valor mínimo e máximo e cada um trabalharia dentro dessa margem", opina.
Procurada, a assessoria de imprensa do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Paraná (Sindicombustíveis-PR) informou que ninguém da entidade poderia comentar qualquer questão relativa a preços, sob a justificativa de que o mercado é livre.

Ressaca política


A alta de preços nas bombas não é o principal alvo do consumidor na hora de reclamar. O discurso volta ao governo, que elevou impostos. "O posto é o menos culpado. O problema é que o governo ficou segurando o aumento, gerou problemas e agora tem de repassar de uma vez", diz o contador Alexandre de Oliveira.
O agricultor Nelson Sato afirma que o problema é que a alta é generalizada, com impostos e na inflação. "Uso diesel também na minha propriedade rural e está difícil, porque o preço de venda do meu produto fica defasado", conta.
Para o empresário Gilberto Alvares, o problema é a semelhança de valores na cidade. "A diferença é de um centavo de um lugar para outro. Pode procurar, todos os lugares têm preços muito parecidos."

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