Quase uma década de ausência de produção de habitações populares resultou em um déficit de quase 12 mil unidades, segundo dados da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab). Um levantamento feito pelo Sindicato das Indústrias da Construção (Sinduscon), durante o primeiro semestre deste ano, apontou a nítida redução desse tipo de moradia. A pesquisa reforçou que, o segmento que poderia gerar empregos, movimentar o mercado da construção e aliviar problemas sociais, simplesmente anulou-se.
Como participante do debate promovido pela Folha, o presidente da Cohab, Carlos Eduardo Afonseca, admitiu o desajuste e informou que a situação ocorreu por conta de problemas entre administrações anteriores e a Caixa Econômica Federal. ''A Cohab ficou de 1993 a 2001 sem fazer nenhuma casa com recursos do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) porque outras administrações não tiveram a visão 'privada' de continuidade de uma empresa'', justificou.
Na tentativa de minimizar a situação, o presidente da Cohab acentuou que essa situação deve ser vista também pelo ângulo nacional e estadual. Conforme ele, no Brasil, há um déficit habitacional de 7,2 milhões de unidades, cerca de 45 milhões de pessoas estão sem teto. ''Essa é uma situação que não será resolvida em um ou dois governos'', avaliou.
Afonseca afirmou que após renegociar a dívida de quase R$ 300 milhões com a Caixa, em junho de 2001, a companhia retomou o desenvolvimento de projetos. ''Nós tivemos que reaprender a fazer projetos e a mandar para a Caixa. Coisas que não eram feitas há muito tempo'', disse Afosenca. Segundo ele, os projetos foram um pouco mais demorados, mas de 2003 a 2004 a Cohab entregou 859 unidades e mais 755 no começo deste ano, entre casas e apartamentos, para a faixa de renda atendida pela autarquia, que vai de 1 a 6 salários mínimos. Até o final do ano a Cohab pretende dar início à construção de cerca de 1,5 mil moradias.
Na opinião do presidente do Sinduscon Norte, Junker de Assis Grassiotto, o poder público deveria estabelecer uma política adequada à realidade, principalmente a de recursos. Ou seja, determinar por exemplo, o número de empregos que pretende-se gerar, não limitando-se apenas ao setor da construção, e tentar cumprir essa meta.
Segundo ele, o Governo deveria pensar em criar, por exemplo, dois mil empregos em um ano nesse setor, através da construção de moradias populares e obras públicas. E não criar cinco mil postos de trabalho em um único ano e nenhum nos outros três. ''A Cohab deveria trazer a público uma política estabelecida, vamos dizer assim, de mil habitações por ano. Nós teríamos um conjunto de empresas trabalhando, dimensionando para fazer mil habitações por ano'', sugeriu Grassiotto.

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