Londrina tem cinco empresas entre as 10 mais do País
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domingo, 30 de novembro de 1997
Bete Fagundes Londrina 
Arquivo FolhaPotência exportadoraSérgio Coimbra, da Cacique: Agregamos uma ousada política comercial a uma gestão empresarial modernaHoje Londrina se destaca no País, por ter uma política de atração de indústrias que começa a dar resultados e porque, entre outras vantagens, como a posição geográfica do município, conta com cinco empresas que estão entre as dez maiores do Brasil em suas áreas de atuação.
Na disputa por indústrias, Londrina já ganhou um grande prêmio: a coreana Kumho acaba de confirmar a construção de uma fábrica de pneus no município. Projeto de R$ 160 milhões para gerar 1.000 empregos diretos. E a Cacique, a Jabur Pneus, a Herbitécnica, a Plaenge e a Viação Garcia, todas de Londrina, encerram o ano como as maiores do País em seus segmentos.
Na revista Balanço Anual/97, publicação da Gazeta Mercantil, a Cacique é a número um em café solúvel; a Jabur está em segundo lugar (pneus) e a Herbitécnica (defensivos) em terceiro. A Plaenge é a sétima em edificação residencial e a Viação Garcia aparece na 9ªposição - ônibus rodoviário. As empresas foram classificadas com base na receita operacional líquida do último exercício (1996). A revista traz 29 setores da economia e 440 subsetores.
Arquivo FolhaEquipe afinadaÉzaro Medina Fabiano, da Plaenge: grupo tem 1.500 funcionários, atua no segmento residencial e é forte no setor de edificações industriais em todo o País
A Cia. Cacique de Café Solúvel recebeu agora do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo o prêmio Destaque do Comércio Exterior do Ano. A Secretaria de Comércio Exterior selecionou 60 empresas (seis por categoria) das milhares do País, elegeu dez e recebeu o aval de inúmeras entidades para anunciar os vencedores.
Até hoje a Cacique é a maior indústria de café solúvel do mundo com planta industrial contínua (mesmo teto), algo em torno de 33 mil metros quadrados. Seus produtos são comercializados em 46 países com as marcas Café Pelé e Café Cacique King. A empresa, que também vende a granel, detém 34% das exportações brasileiras de café.
O presidente da Cacique, Sérgio Coimbra, atribui o sucesso ao pioneirismo, o desbravar, atuar e consolidar a marca em novos mercados. Agregamos a esta ousada e agressiva política comercial, uma gestão empresarial moderna, afirma ele, citando programas de Qualidade Total, cuidados especiais com o meio ambiente e a co-gestão empresa-trabalhador.
A Rússia hoje é o mercado mais atraente do mundo para a indústria de café solúvel. E a Cacique é líder na Rússia, com 35% das vendas. O fato surpreende, já que os olhos e o apetite das multinacionais - as gigantes em alimentação e solúvel - estão voltados para aquele país.
A notícia ganha mais peso ainda quando se fala em volume de vendas. São 12 mil toneladas, ou 120 milhões de latinhas em supermercados e nas mesas russas com o impresso Made in Brazil. Em outras regiões, como Estados Unidos, Japão e Inglaterra, o Mercado Comum Europeu e os tigres asiáticos, as vendas da empresa vão conquistando volumes significativos.
E tudo começou na década de 50, com o empresário Horácio Coimbra e alguns de seus amigos idealizando a Cacique em Londrina. A direção, hoje, é dos filhos Sérgio e Cesário Coimbra. Sérgio conta que está investindo US$ 1,5 milhão em marketing na Rússia. No ano que vem essa estratégia vai custar US$ 2,5 milhões. O investimento em desenvolvimento tecnológico e na qualidade do produto será de US$ 3 milhões em 98.
Oswaldo Pitol, presidente da Herbitécnica, garante que desde a fundação, 27 anos atrás, a empresa reinveste maciçamente em seus resultados. Nenhum sócio nunca viu distribuição de lucros na Herbitécnica, afirma, explicando que o reinvestimento é na área industrial, no registro de produtos e no treinamento de pessoal.
Na área industrial, a intenção é levantar uma unidade de produção por ano para gerar no mínimo dois novos produtos. O investimento em registro de produtos no Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente) e nos ministérios da Agricultura e da Saúde não só é indispensável como oneroso. O processo envolve análises e pode custar de R$ 500 mil a R$ 1 milhão, dependendo do produto.
Pitol revela um outro ingrediente que faz a diferença: o certificado ISO 9002, que abre as portas do mercado internacional para a empresa e aumenta o seu poder de competitividade no mercado interno. São pouquíssimas as empresas do setor (defensivos) que possuem este certificado; me lembro de uma - observa o presidente.
A empresa tanto fez, e faz, que este ano superou a previsão de faturamento, de US$ 6,5 milhões para US$ 8 milhões. Até o ano 2002 ela espera estar exportando 25% da produção para a América Latina. Hoje são 7%. A Herbitécnica tem sete unidades industriais e deve abrir a oitava em 98, lançando produtos que eliminam os resíduos das embalagens no campo.
A Plaenge se mantém no mercado seguindo quatro pontos básicos: o não endividamento da empresa, o bom atendimento ao cliente, capital de giro rápido e equipe coesa. É da empresa o prêmio Construtora do Ano de Cuiabá, entregue na última sexta-feira pelo sindicato da construção daquela cidade.
Ézaro Medina Fabiano, presidente da Plaenge, explica a linha de atuação dizendo que trabalhar para pagar juros é perda de tempo, que o cliente bem atendido forma uma corrente de clientes, que o melhor é ganhar pouco em cada negócio e que uma equipe de trabalho afinada leva ao sucesso.
O grupo, com 1.500 funcionários, atua em Londrina, Campo Grande e Cuiabá, no segmento residencial, e em todo o País no industrial - o forte da Plaenge. Ézaro Medina enumera, por alto, os novos compromissos da casa: construção de uma Antarctica no Nordeste, projeto de instalação da Beta-Sul (metalúrgica) em Londrina, projeto para o terceiro fabricante de Cola no mundo que está entrando no País, fábrica da Caninha 51 no Recife e da Coca-Cola em Cuiabá.
É a Plaenge S/A que aparece no ranking da Gazeta Mercantil. Fatura R$ 50 milhões no ano. A outra do grupo, a Plaenge Engenharia, é empresa limitada que, pelos cálculos do presidente, está entre as 15 maiores do setor. Ela levantou mais da metade das fábricas da Coca-Cola no Brasil.
A Viação Garcia busca constantemente uma melhor prestação de serviços. Pouco tempo atrás, a revista Veja destacou que o menor índice de acidentes em transporte rodoviário é da Garcia. E é um índice tremendamente inferior aos dos concorrentes no País, adianta o gerente econômico-financeiro da Garcia, Nelson Carbonieri.
Com mais de 60 anos de idade, a Garcia do fundador Celso Garcia Cid tem uma frota de 720 ônibus ligando o Norte do Paraná a Curitiba e São Paulo, passando por todo o interior. A idade média dos ônibus (4,5 anos) é a menor do sistema rodoviário do País, observa o gerente.
Transportamos em média 850 mil pessoas por mês, o que dá cerca de 29 mil por dia; nossos carros rodam em torno de 4 milhões de quilômetros por mês, afirma Carbonieri. A empresa está investindo R$ 1 milhão na informatização das agências. A Garcia faturou R$ 65 milhões em 96 e hoje tem 2.100 funcionários.
Aos 40 anos, a Jabur Pneus conta muito com o apoio e a capacidade profissional de seus 350 funcionários para enfrentar a concorrência na revenda de pneus. A empresa, de João Jabur, atua nas regiões sul e sudeste do País, vendendo direto para o consumidor. A concorrência é, realmente, uma das nossas maiores preocupações, admite o diretor de Marketing da Jabur, Hércules Alberto Thanes. Ele prevê, inclusive, uma concorrência ainda mais acirrada a partir do próximo ano.VIAÇÃO GARCIA


