Com filas do lado de fora de grandes lojas que oferecem crediário e movimentação de pedestres - boa parte usando máscaras - intensa, o comércio de Londrina pôde voltar ao trabalho com o horário reduzido na manhã desta segunda-feira (20). A reabertura ocorreu no dia em que o Paraná ultrapassou a faixa dos mil casos confirmados de Covid-19 e Londrina somou 92, com sete óbitos e 61 pessoas recuperadas.

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. | Foto: Sérgio Ranalli - Arquivo Folha

Para o presidente da Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina), Fernando Morais, este movimento já era esperado e se concretizou muito mais em função do pagamento de contas do que do consumo de bens e serviços. “Era o esperado. Teve um histórico de outras cidades que abriram, imagina 30 dias fechados, o pessoal vai pagar as contas, por mais que nós comunicamos que não haveria cobrança de juros”, explicou Morais.

Por conta disso, a avaliação do presidente da entidade é de que o fluxo de pessoas registrado nesta segunda não deverá se repetir nesta quarta-feira, dia seguinte ao Dia da Inconfidência, conhecido popularmente como feriado de Tiradentes, quando o comércio em Londrina volta a fechar as portas. “Acho que vai tranquilizar, na parte da tarde (segunda) já tinha um pouco menos. Vai ter um movimento sim, mas não igual hoje. Eram as pessoas que estavam precisando de algo mais urgente, coisa que quebrou em casa, alguma coisa assim”, avaliou.

No entanto, nem todos ficaram “tranquilos” com o que viram. Para o secretário municipal de Planejamento, Marcelo Canhada, Londrina, que “tem uma grande chance de dar bons exemplos ao País”, disse, registrou uma movimentação longe do ideal para o momento. “Muitas pessoas na rua, aglomerações em frente a lojas e muitas andando com a família como se nada estivesse acontecendo”, lamentou.

Em mensagem encaminhada pelo Núcleo de Comunicação da Prefeitura de Londrina, Canhada mencionou que a manutenção das atividades do comércio está ligada a um grande esforço coletivo para se colocar em prática as regras de segurança e as medidas de distanciamento determinadas pela Poder Executivo após sugestão do Coesp (Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública). ”Os empresários cumprindo rigorosamente as determinações do decreto municipal que estão em consonância com os especialistas na área de infectologia”, completou.

E, ainda ao longo desta semana, quem estiver no centro de Londrina também deverá ouvir áudios informativos reproduzidos por viaturas da Guarda Municipal com as principais medidas: uso obrigatório de máscaras, lotação de estabelecimentos reduzida em 50% e oferta de álcool em gel.

Manifestantes fazem abaixo-assinado em apoio ao MP

Também na tarde desta segunda-feira (20), integrantes do Comitê Londrinense de Solidariedade enviaram à sede do Ministério Público um abaixo-assinado em apoio à postura adotada pela promotora Suzana de Lacerda na defesa do isolamento social. De acordo com a coordenadora do grupo, Maria Giselda de Lima, foram coletadas virtualmente 1.385 assinaturas que representam mais uma “resposta” aos ataques disparados contra ela há uma semana. Publicação da página oficial do deputado federal londrinense, Filipe Barros (PSL), criticava a medida e chamava a promotora de “desequilibrada”, o que tornou mensagem ainda mais "polêmica" por trazer supostos atributos pessoais como revelantes para a conduta profissional.

Questionada pela reportagem, a coordenadora ressaltou que, embora seja um movimento suprapartidário formado por moradores de Londrina, os simpatizantes da moção de apoio também fazem parte de outros movimentos organizados de atuação política na cidade.

“Ele é apartidário. É lógico que tem muitas pessoas que são militantes, mas são cidadãos preocupados que cobram do prefeito, governador, presidente, enfim. Não queremos ter vínculo com partido nenhum, agora, claro, estamos discutindo quais medidas vamos fazer agora, porque parece que só tem do outro lado”, lamentou em referência ao posicionamento adotado por entidades como a Acil pelo retorno das atividades do comércio.

Muito preocupada com a “multidão” que transitava na rua Sergipe na tarde desta segunda, Lima pediu ainda mais responsabilidade e conscientização aos moradores nos próximos dias. “A população precisa se conscientizar que só é pra sair de casa para o que for necessário, não pra comprar roupa e sapato”, exemplificou.

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