Londrina demitiu 149 trabalhadores a mais do que contratou em outubro, o quinto pior resultado entre as 60 cidades com mais de 30 mil habitantes do Paraná, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Os setores com pior resultado foram construção civil (-245), agropecuária (-79) e comércio (-59).
Somente Curitiba (-1.784), Apucarana (-208), Paranaguá (-170) e Irati (-161) perderam mais vagas. O Paraná, com redução de 345 postos de trabalho, e o Brasil, com queda de 30.283, também tiveram perdas devido à construção civil e à agropecuária, mas ficaram com números positivos no comércio. No entanto, o resultado nacional foi o pior para o mês de outubro desde 1999, segundo o MTE.
Os dois setores citados foram impactados pelo desaquecimento econômico do País e por fatores sazonais, segundo especialistas ouvidos pela FOLHA. O ministro do Trabalho, Manoel Dias, culpou ainda a seca e a expectativa em torno da eleição presidencial, que fez com que os investimentos ficassem represados. "As demissões foram feitas, mas as contratações ficaram para depois", avaliou. Mesmo assim, como o acumulado do ano ficou em 912.287 vagas criadas, ele diz que é provável que o número não chegue a 1 milhão no ano, como previsto anteriormente.
Em Londrina, no entanto, chama a atenção a retração no comércio. No acumulado de janeiro a outubro, o indicador também está negativo em 52 vagas, o que, para o consultor econômico da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Marcos Rambalducci, mostra que o município sente mais o desaquecimento do consumo devido ao baixo índice de industrialização. "Se a construção civil perde postos de trabalho, isso é percebido pelo comerciante local", diz. Ele completa que o forte na região são os serviços, que não podem ser exportados em caso de baixa demanda interna.
A secretária do Trabalho, Emprego e Renda de Londrina, Kátia Gomes, afirma que o cenário local não chega a preocupar e que apenas acompanha a realidade nacional. "Temos uma grande franquia de restaurante que se instalou na cidade e mais três de comércio. Se eles se interessam por Londrina é porque a situação não é tão ruim", diz. Ela completa que as contratações de lojistas costumam ocorrer no fim de novembro e começo de dezembro no município.
Para o integrante do Conselho Regional de Economia (Corecon) do Paraná, Cid Cordeiro, o saldo negativo em todo o País era esperado. "Em algum momento o desaquecimento da economia chegaria ao mercado de trabalho e chegou agora", diz. Ele cita a queda na indústria como algo preocupante. "Agosto, setembro e outubro são considerados o Natal da indústria e isso mostra o baixo otimismo."

Salvação
Conforme o economista Roberto Zurcher, da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), os números refletem a situação econômica do País, com redução do consumo interno, o que leva à diminuição da mão de obra contratada. A mais afetada nacionalmente é a indústria de transformação, ainda que o resultado paranaense seja diferente. "Nossa (do Estado) estrutura industrial é baseada na produção de alimentos, que foi a que mais cresceu em número de vagas em outubro", cita. No mês, a alta no segmento foi de 1.222 no Paraná e de 1.269 no Brasil. "Enquanto houver boa safra, vamos ficar no positivo."

Imagem ilustrativa da imagem Londrina tem 5o pior saldo de emprego do Estado em outubro
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