Empresas, centros de excelências e associações começaram a traçar ontem um plano auspicioso para tornar Londrina um pólo de formação e profissionalização de pessoas para a área de Tecnologia da Informação (TI). O encontro destes vários autores do cenário tecnológico nacional pretende incentivar jovens a estudarem programação, ciência da computação e automação, visto que o setor tem uma demanda reprimida de 100 mil novos profissionais só este ano. Os profissionais de TI são contratados mesmo sem experiência e chegam a faturar salários que variam de R$1,5 mil a R$20 mil, podendo até extrapolar estes valores.
Porém, o setor amarga uma contradição incomoda na área de ensino. Embora o mercado necessite destas pessoas, algumas faculdades e escolas técnicas estão fechando cursos por falta de candidatos. Estima-se que nos próximos 5 anos o setor necessite de 500 mil novos profissionais, entretanto, as escolas brasileiras projetam chegar a 50 mil formandos em TI por ano.
A radiografia da falta de profissionais foi feita por Paulo Sérgio Sgobbi, responsável pela área de Recursos Humanos e Formação da Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação (Brasscon). Sgobbi representa as 38 maiores empresas na área de TI do Brasil, que faturam 70% de tudo que é produzido no mercado brasileiro, dominando 85% das exportações e empregando cerca de 90 mil profissionais. O faturamento de exportação na área de TI em 2007 foi da ordem de US$ 800 milhões, havendo possibilidade de crescimento nestes montante da ordem de 40% nos próximos anos.
O representante da Brasscom foi convidado pelo Arranjo Produtivo Local de Tecnologia da Informação (APL-TI), organização do Paraná que tenta incentivar a formação de novos profissionais para este mercado carente de oferta de mão-de-obra. O encontro que aconteceu num prédio de negócios da região central de Londrina, teve por objetivo fazer um debate e traçar linhas mestras para que seja elaborado um plano que conjugue esforços empresariais e educativos na formação de novos profissionais.
Chamado pela organização do evento de I Workshop Regional de Educação para o Trabalho em Tecnologia, a iniciativa contou ainda com as presenças de representantes da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Universidade do Norte do Paraná (Unopar), empresas do setor e a Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia de Informação, Software e Internet (Assespro-Regional Paraná).
Sgoobbi explicitou, em linhas gerais, que o avanço na formação destes profissionais se sustentará num tripé. Primeiro, despertar na escola pública o interesse por essa área, fortalecendo matérias que envolvam pensamento lógico, como por exemplo, matemática. Um segundo ponto, visa priorizar a formação em grande quantidade de profissionais de TI nos centros de excelência e escolas técnicas. O último ponto da estratégia, é redesenhar um caminho novo para a língua inglesa nas diversas etapas do ensino público, ferramenta primordial para quem queira ser um ''escovador de bytes'', como são conhecidos os profissionais de TI.

Mercado de TI


- 1,2 trilhões de dólares é o que gerou o mercado global de TI este ano

- 755 bilhões de dólares é o que movimentou este ano a terceirização de serviços de TI pelo mundo

- 70 bilhões de dólares é o montante de exportação de TI para diversos países. O Brasil pretende explorar este mercado.

- 45 anos é o que o Brasil tem na área de TI, desenvolvendo tecnologias para os setores bancário, de votação eletrônica e governos que utilizam recursos eletrônicos para atendimento público

- 800 milhões de dólares é o que o País fatura com exportação de TI

- 100 mil profissionais é o que o Brasil necessita este ano para atender a demanda da empresa nacional

- 48,4 mil profissionais serão formados em 2010, compreendendo às áreas de Ciência da Computação, Processamento da Informação e Eletrônica da Informação

Fonte: Brasscom

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