Betânia Rodrigues
De Londrina
Especial para a Folha
Londrina deve se transformar nos próximos oito anos no coração do corredor de exportação do Paraná. Esta é uma conclusão do Estudo dos Eixos Nacionais de Integração e Desenvolvimento realizado em todo o País e que servirá como base para o Plano Plurianual do governo federal, também chamado de ‘Avança Brasil’.
Os resultados desse trabalho serão divulgados hoje, na 6ª Jornada Tecnológica Internacional de Londrina, pelo engenheiro de produção, Ernesto Marujo. Ele foi o coordenador da pesquisa no eixo sudoeste que envolve norte e oeste do Paraná, oeste de São Paulo e sul do Mato Grosso do Sul, num universo de 10,8 milhões de habitantes. A Jornada Tecnológica acontece hoje e amanhã, a partir das 8h00, no Hotel Sumatra.
Ernesto Marujo é membro do Consórcio Brasiliana, que foi contratado pelo Ministério do Planejamento e BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social) para identificar e apontar soluções para os problemas de infra-estrutura no País. Foi um trabalho que durou um ano e investigou o sistema de transporte, energia, telecomunicações e desenvolvimento social.
‘‘A intenção do governo federal é usar estas informações para elaborar ações que promovam o desenvolvimento sustentado no País até 2003. Em todo o trabalho, fizemos previsões de mais quatro anos para que os projetos tivessem tempo de apresentar resultados’’.
Um dos principais investimentos programados para o setor de transportes no Estado do Paraná é a construção de um novo aeroporto em Londrina. Ele deverá consumir US$ 166 milhões e terá capacidade para receber 56.200 aeronaves e 517 mil passageiros em 2007.
Este orçamento faz parte de um montante de US$ 2,51 bilhões que deverão ser gastos também na recuperação da ferrovia Sul-Atlântica, entre Ourinhos e Ponta Grossa (substituição de trilhos e sinalização); construção de uma linha férrea maior entre Curitiba e Paranaguá; criação de uma ferrovia entre Guaíra e Cascavel e uma rodovia entre Ponta Porã (MS) e Eldorado, que dará suporte ao sistema ferroviário.
‘‘O objetivo desses projetos viários é baratear a exportação de grãos produzidos no eixo sudoeste, principalmente no Paranᒒ, afirmou Marujo.
Entre os setores abrangidos pela pesquisa do Consórcio Brasiliana nesta região, o de desenvolvimento social é o mais carente. De acordo com Marujo, o setor público e/ou o setor privado deverão aplicar US$ 5,2 bilhões até 2007.
Esta verba será destinada a programas para o tratamento de 100% da água nos municípios mais dinâmicos, incluindo aí Londrina. Também serão priorizados os programas de qualificação de professores do ensino fundamental e alfabetização de adultos, construção de escolas e moradias para famílias com renda de até três salários mínimos.
Dos US$ 5,2 bilhões necessários para o setor, US$ 160 milhões devem ser destinados à construção das escolas e US$ 792 milhões para as moradias. Isto quer dizer, que no eixo sudoeste deverão ser construídas 115 mil casas. Para auxiliar a elaboração de todos esses projetos, o Consórcio prevê a injeção de US$ 400 milhões para a execução de um novo censo demográfico, social e econômico em 2000.
Em telecomunicações, a previsão de investimento é de US$ 1,6 bilhão, que deverão ser feitos quase 100% pela iniciativa privada. O meio ambiente é o quarto na lista dos carentes no eixo sudoeste. Ele deve ficar com US$ 1,3 bilhão dos US$ 158 bilhões estimados para serem gastos na infra-estrutura nacional até 2007.
No setor de energia, o Consórcio sugere ao governo federal a construção de mais seis hidrelétricas no eixo sudoeste, três delas no rio Tibagi e as demais divididas entre os rios Paranapanema e Ribeira de Iguape. Isto equivale a um investimento de US$ 1,5 bilhão.

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