Ednelson Alves
Especial para a Folha
Londrina vai sediar de 28 de abril a 2 de maio de 2001, o 30º Congresso Mundial de Treinamento e Desenvolvimento, que poderá reunir até 4 mil participantes de 60 países. O anúncio do evento foi feito ontem na Pousada das Alamandas, em Rolândia, pelo presidente da Federação Mundial de Treinamento e Desenvolvimento (IFTDO, da sigla em inglês), Paulo Pizarro.
No dia 20 de outubro chegarão à Londrina os membros da diretoria da IFTDO para avaliar as condições da cidade para a realização do congresso. ‘‘Nas reuniões com o prefeito Antônio Belinati ficamos entusiasmados com o interesse dele em receber o nosso evento em Londrina. Acreditamos que a cidade tem 95% de chances de ser confirmada como sede do Congresso Mundial de Treinamento, pois reúne todas as condições para isso’’. O ponto básico será a construção do Centro de Eventos de Londrina.
Pizarro, que há 35 anos atua na área de desenvolvimento de executivos e que foi gerente de Desenvolvimento de Executivos da Volkswagen do Brasil, gerente de Desenvolvimento de Recursos Humanos da Mercedez Benz do Brasil, além de secretário geral da Anfavea - Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores e do Sinfavea - Sindicato Nacional da Indústria de Tratores, Caminhões, Automóveis e Veículos Similares, diz que São Paulo e Rio de Janeiro foram eliminadas como candidatas a sede do evento por causa do trânsito e da criminalidade. Porto Alegre também saiu da lista, porque segundo ele, não houve interesse por parte do poder público.
Além da infra-estrutura oferecida por Londrina, somado ao apoio manifestado por Belinati, o consultor disse que pesou como fator positivo a atuação do presidente da Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento, Ademar Campos, londrinense que já está atuando na organização do congresso.
O tema central será ‘‘As Novas Fronteiras do Desenvolvimento de Recursos Humanos (DRH)’’, com temas subdividos em diversas áreas como marketing, vendas, informática, recursos humanos, excelência empresarial, entre outras.
Com sede em Alexandria, próximo a Washington, nos Estados Unidos, ele explica que no Congresso da Federação Mundial de Treinamento e Desenvolvimento os participantes sempre tem uma visão do que há de mais avançado no mundo em termos de tecnologia disponível para a área de treinamento e capacitação de recursos humanos. Além disso, acrescenta, é uma grande oportunidade para exposição de produtos.
Como organização sem fins lucrativos, o presidente da IFTDO revela que a atuação da entidade visa desenvolver e transferir conhecimentos, capacidades e tecnologia para o aperfeiçoamento pessoal e organizacional.
Sobre o impacto da globalização no Brasil, o consultor diz que o governo errou muito por não ter feito uma ampla campanha e também um estudo sobre os efeitos dela no País. ‘‘O governo não errou por promover a abertura, mas pela maneira como ele permitiu que ela ocorresse, não medindo as consequências. Isso deveria ter começado no governo José Sarney. É verdade que o empresariado tem a sua parcela de culpa por não ter se preparado adequadamente para enfrentar esse novo momento, mas o governo teria que oferecer mais condições. Não é possível simplesmente abrir a economia sem antes ter feito um estudo sério sobre o que isso representaria para o setor produtivo nacional’’.
Sobre o nível de treinamento no Brasil, Pizarro afirma que os setores automotivo e bancário saíram na frente, mas ainda há uma carência muito grande entre as pequenas e médias empresas. Ele citou o caso da agricultura como um setor que deveria despertar para importância do treinamento. Entre as empresas de bom nível ele destaca a Volkswagen, a Mercedes, Nestlé, a Todeschini (móveis), ‘‘sem contar o trabalho que o Sebrae, Senai e Senac vem fazendo’’.

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