Londrina está se consolidando como centro produtor de moda. Em plena expansão, nos últimos anos o setor de confecções vem ensaiando uma modificação no seu perfil: de executores a criadores de moda. Essa evolução - importante para o setor porque agrega valor ao produto - é fruto da infra-estrutura criada na cidade para fomentar o segmento como oferta de cursos de capacitação para empresários e trabalhadores e a graduação de Design e Moda, que forma mão-de-obra especializada.
Esse conjunto de fatores tem trazido um crescimento anual de 5% para o setor. Os dados do ano passado ainda não foram fechados pelo Sebrae, mas para 2006 as perspectivas são melhores devido às eleições que, tradicionalmente, injeta mais dinheiro na economia. Embora não seja tão alto, o crescimento aponta para uma recuperação do segmento que, no início da década passada, passou por uma grave crise, quando diversas indústrias fecharam suas portas devido à abertura das importações.
''A abertura do comércio exterior, patrocinada pelo governo Collor (então presidente Fernando Collor de Mello) mostrou que o setor não era competitivo e que as indústrias não tinham infra-estrutura adequada para enfrentar a competição externa'', explica Heverson Feliciano, coordenador do Projeto de Confecções do Sebrae. Parque modernizado e mudanças nas políticas de importação favoreceram, então, a retomada do crescimento. ''O diferencial das confecções de Londrina é que os produtos têm muita qualidade'', diz.
Uma pesquisa do Sebrae indica que são 170 indústrias formais que, juntas, empregam cerca de 5 mil pessoas, a maioria mulheres. ''Em Londrina o setor de confecções está em expansão'', afirma Feliciano. A moda londrinense é heterogênea e diversificada, atingindo todos os consumidores. ''Essas características são uma vantagem porque fica mais fácil encontrar mão-de-obra e torna o setor menos suscetível à crises'', argumenta.
A partir de 2004 foi iniciado na cidade um movimento concentrado para conseguir novos mercados. ''As indústrias adquiriram auto-confiança e os produtos estão com boa aceitação no mercado nacional'', afirma Feliciano. Segundo ele, até indústrias de médio e pequeno porte estão investindo em marcas próprias. No ano passado, entidades como Sebrae, Senai, Acil e Sivepar iniciaram um projeto para desenvolvimento das marcas.
O primeiro passo foi a consultoria em gestão, modelagem e design. Neste ano serão trabalhados a conquista de novos mercados e, em 2007, o foco será no aumento do faturamento e da produtividade.

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