Por meio de um sistema, um dado se transforma em uma informação. Essa informação é utilizada para gerar uma solução, que de alguma forma irá facilitar a vida das pessoas. Com esse esquema simplificado pode-se explicar a Tecnologia da Informação (TI). Ela está presente no nosso dia a dia e muitas vezes nem nos damos conta. Desde o mais simples controle remoto que abre e fecha o portão aos elaborados programas de gestão empresarial ou em soluções que asseguram sistemas informatizados contra ataques de hackers estão produtos de TI.
O setor cresce rapidamente em Londrina, que desde a década de 1990 vem se preparando para tornar-se um polo de TI. Há quem diga que a região tem mesmo vocação para ser um novo Vale do Silício, numa referência à região da Califórnia (EUA) que concentra grandes empresas mundiais do setor. ''O Vale do Silício começou pequeno também'', argumenta o presidente do Arranjo Produtivo Local (APL) de TI de Londrina, João Carlos Monteiro.
Essa vocação vem sendo gestada há quase 20 anos. No início dos anos 1990, um grupo de empresários e pesquisadores criaram a Associação do Desenvolvimento Tecnológico de Londrina e Região (Adetec). Segundo o consultor Paulo Sendin, a entidade criou condições para a formação de outras instituições que representam o setor, como o próprio APL de TI e o Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia, entidade que define as políticas para o setor.
Sendin lembra que um dos objetivos da Adetec era criar o conceito de ''Londrina Tecnópolis'', que tinha como meta transformar o município e a região em um grande polo gerador de ciência e tecnologia. ''Mas não conseguimos manter o nível de apoio financeiro necessário para isso'', comenta. O programa previa que em 2010 a Londrina Tecnópolis estivesse consolidada. ''Mas Londrina já está bem perto do que sonhávamos dentro da Adetec, lá no início'', afirma.
A própria formação do APL de TI, observa Monteiro, é um sinal de que a região tem mesmo vocação para abrigar um polo importante. Segundo ele, a concentração de empresas do setor, que passaram atuar de forma organizada, reafirma ainda mais essa tendência. ''Temos uma quantidade significativa de empresas que atuam em diferentes frentes dentro do mesmo setor'', analisa. Para Monteiro, a organização das empresas de TI em um APL, com apoio de entidades com Sebrae-PR, UEL, Codel, Acil, Senai e Fiep, deu mais visibilidade para o setor. ''Assim poderemos atrair mais empresas para cá e manter e até ampliar as que já estão por aqui'', diz. Ele observa que inicialmente, o APL contava com a participação ativa de 25 a 30 empresas. Atualmente, o arranjo conta com 84 empresas atuantes.
Outro indicador da importância do setor de TI de Londrina, segundo o presidente do APL, é a homologação do Programa Aplicativo Fiscal - Emissor de Cupom Fiscal na Unifil que irá certificar softwares, e também a implantação de um bureau de testes no Senai de Londrina que poderá avaliar o desempenho de diversos programas. ''Esses aportes de capital foram feitos aqui porque essas instituições fazem uma leitura de que o setor é viável'', comenta Monteiro.
No entanto, o empresário observa que a área de TI em Londrina ainda carece de uma maior atenção por parte do poder público para se consolidar e crescer ainda mais. Monteiro observa que apesar de Londrina ser uma grande formadora de mão de obra qualificada, a maior parte desses profissionais acabam indo para outras regiões, o que representa uma perda de investimentos na formação de pessoas. ''A região tem condições de absorver e reter esse pessoal, mas é preciso uma política de incentivos para atrair novas empresas e também fortalecer as que já estão por aqui'', comenta. Um dos incentivos sugeridos pelo presidente é a criação do ISS Tecnológico pelo governo municipal, como já existe em Curitiba. ''Já há conversas com o prefeito de Londrina, que achou a proposta viável'', afirma.

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