Mais uma gigante no setor de candies planeja aportar no Brasil e Londrina tem boas chances de receber o investimento. Terceira maior empresa do mundo na produção de balas, chicletes e chocolates, a turca Kent Confectionary - que perde em faturamento, no cenário internacional, apenas para a Nestlé e a Arcor - pretende construir, em 1998, uma fábrica no País.
A idéia é recente. A Kent entrou nas gôndolas de supermercados nacionais há menos de dois anos. Ela arriscou um rápido teste de mercado no atacado brasileiro e foi surpreendida por um pedido de US$ 1 milhão, feito pelo distribuidor Paulo Pennachi, de Arapongas. ‘‘O pedido vultuoso nos assustou. Isso instigou a empresa a pesquisar o mercado brasileiro’’, afirma o diretor de marketing da Kent, Charles Goubert. Um levantamento de marketing detectou o enorme potencial do País. ‘‘Só na cidade de São Paulo existem 2 mil escritórios que comercializam este tipo de produto’’, conta. Outro dado que chamou a atenção da empresa foi o gasto médio do brasileiro com candies. ‘‘Enquanto uma família brasileira gasta R$ 2,40 com alimentação por dia, a criança consome R$ 0,56 com doces e balas’’.
Há cerca de dois meses, o vice-presidente mundial da empresa, Muntaz Tahincioglo, visitou o Brasil. De acordo com sua avaliação, o Brasil oferece, a preços bem competitivos e com diversidade as três matérias-primas básicas usadas pela empresa: café, cacau e açúcar. Além disso, os impostos baixos, isenções fiscais e preços de transporte também interessantes facilitaram a escolha.
A Kent já estuda dois locais para instalar sua fábrica: Fortaleza (CE) ou Londrina. ‘‘Em Londrina há um distribuidor grande, que já tem uma fábrica montada’’, conta o diretor de marketing da Kent, Charles Goubert. ‘‘Precisaríamos apenas investir mais na indústria e atacar com um marketing mais ofensivo’’.
Já em Fortaleza, não há nenhuma infra-estrutura montada. A escolha de Londrina como alternativa deu-se pelas facilidades fiscais propostas pelo município. Apesar de ainda não ter nada fechado - e não existir um prazo estreito para a definição -, Goubert deixa escapar sua avaliação: ‘‘É mais fácil quando entramos com uma estrutura de fábrica e um sistema de distribuição montados’’.
A empresa também não fala ainda em investimentos. Segundo o diretor de marketing, tudo depende da importância que a Kent dará à sua fábrica no Brasil. Mas tudo indica que o projeto é grandioso. O grande objetivo desta fábrica - a única da Kent fora da Turquia - seria produzir não somente para o mercado brasileiro, mas servir a toda a América do Sul e, posteriormente, a América do Norte. ‘‘Produzir neste País significa baratear em até 40% nosso produto para exportação’’, calcula o diretor de exportação da empresa, Hakan Vural.
Vural adianta que a meta para 98, primeiro ano de comercialização efetiva dos produtos no País, é de faturamento de US$ 12 milhões - e mais US$ 4 milhões para o resto do Mercosul. Ele calcula que, em menos de cinco anos, o Brasil tornaria-se o quinto maior mercado consumidor da Kent, que hoje atinge 100 países.
Para faturar os esperados US$ 12 milhões, a Kent aposta não somente numa ofensiva campanha publicitária: conta com o fascínio despertado nos consumidores pelos brindes de sua linha de candies. Apesar de produzir 180 itens, a Kent planeja lançar somente 14 deles no Brasil. Entre eles, um chiclete comum com tatuagens de fácil aplicação e remoção como o Party Time. O chiclete Turbo, por sua vez, carro-chefe mundial da empresa, conta com uma figurinha e um protótipo de carro feito de ferro. E o Sporty, uma barra de chocolate ao leite, traz uma figurinha auto-adesiva.
Parceria O diretor comercial da indústria Pennacchi, Marcos Pennacchi, confirma que a empresa está estudando a parceria para a produção em conjunto. A resposta deve sair na próxima semana. Segundo ele, a Pennacchi já distribuiu produtos Kent em anos anteriores.(Colaborou Carina Paccola, de Londrina)

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