Londrina pode lucrar com crédito de carbono
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quarta-feira, 23 de agosto de 2006
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
Londrina poderá ser um dos municípios brasileiros a vender créditos de carbono para o mercado internacional, dentro das especificações do Protocolo de Kyoto. Ontem à tarde, a engenheira americana visitou o aterro sanitário da cidade para avaliar o potencial do local e a quantidade de gás metano (CH4) - que ao queimar se transforma em CO2 e reduz os níveis de poluição do meio ambiente - gerada pelo lixo depositado. O acordo poderá ser fechado dentro de 20 dias.
Segundo a engenheira, foi possível verificar que o aterro tem capacidade para gerar biogás. ''Vimos o gás (CH4) queimando, e isso indica a geração de CO2. O aterro tem biogás e esse é o nosso interesse'', enfatizou. Toni tirou fotos do lugar e, dentro de duas semanas, deverá voltar à cidade, junto com um técnico da empresa, para apresentar um projeto ao município. ''Somente com uma avaliação mais técnica, que será feita pela empresa, saberemos o quanto de crédito poderá ser gerado pelo aterro e o quanto será pago ao município'', disse.
Se fechado um acordo, a Eco Securities - uma das maiores empresas do mundo em comercialização de títulos de carbono - irá revender esses créditos para países da Europa, além de Japão e Canadá. Será feito um registro deste projeto na ONU - Organizações das Nações Unidas - e Londrina receberá royalties pela venda dos créditos. ''O dinheiro será aplicado, provavelmente, em projetos ambientais do município'', adiantou Fábio Reali, diretor de operações da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU).
De acordo com o engenheiro ambiental responsável pela operação do aterro, Elsone José Delavi, foi a própria empresa quem procurou o município para conhecer o aterro e tentar um acordo. ''Nós temos um projeto de aproveitamento do gás metano produzido no aterro sanitário, junto ao Ministério das Cidades, e foi através dele que fomos localizados'', lembrou. Londrina, segundo Delavi, conseguiu reduzir em 21 vezes o nível de poluição da camada de ozônio, somente com a queima de CH4, produzido pelo lixo depositado no aterro.
Desde 2001, conforme Reali, a manutenção do aterro tem sido diferenciada, através de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDLs), e isso tem proporcionado bons resultados para o meio ambiente. Entre algumas ações para deixar o aterro adequado foi realizada a instalção de dutos que canalizam o gás, retirados os garimpeiros e as crianças, criada a coleta seletiva e feito o controle das aves.
O protocolo de Kyoto, ratificado em 2001, prevê que os países ou municípios que adotam MDLs possam comercializar títulos em bolsa de valores, vendendo-os como créditos de carbono medidos por toneladas de gás carbônico (CO2) aos países ou cidades que não conseguem reduzir seus níveis de poluição. Esses créditos, comprados por esses países ou municípios, possibilitam que eles se adequem aos níveis exigidos pelo protocolo. Alguns países como Estados Unidos não assinaram o acordo.
Segundo dados do Banco Mundial, foram negociados no mundo, em 2005, US$ 2 bilhões em créditos de carbono. O Brasil tem potencial para abocanhar entre 10% e 20% desses mercados e, atualmente, possui cerca de 15% a 20% do potencial de geração de créditos dos projetos que estão em alguma etapa do MDLs.


