Londrina pode ganhar fábrica japonesa
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segunda-feira, 21 de setembro de 2015
Nelson Bortolin<br> Reportagem Local 
Londrina pode ser escolhida para receber uma planta da Microsonic, indústria japonesa que produz equipamentos de ultrassonografia. A informação é do presidente da Câmara do Comércio e Indústria Brasil Japão do Paraná, Yoshiaki Oshiro. Ele esteve ontem em Londrina acompanhando uma comitiva de representantes da Universidade Shinshu, de Nagano, no Japão.
Somente em 2014 e neste ano, Londrina recebeu oito comitivas de japoneses das mais diversas áreas, entre empresários, políticos e acadêmicos. No ano passado, o prefeito Alexandre Kireeff (PSD) esteve no Japão em busca de parcerias.
Durante entrevista na sede da Associação Médica de Londrina (AML), Oshiro citou a Microsonic após ser questionado sobre resultados concretos dos trabalhos de aproximação entre Londrina e o Japão. Ele afirmou que a empresa ainda não definiu a cidade onde vai se instalar, mas disse que os empresários gostaram de Londrina.
O presidente da Câmara procurou minimizar a importância de a região receber uma grande corporação japonesa. "Curitiba tem grandes corporações, que, com a crise, fecharam postos de trabalho. Uma empresa (como a Microsonic) é mais importante que uma grande corporação", disse.
Segundo Oshiro, a Universidade Shinshu é a principal na área de tecnologia no Japão e a comitiva de lá tratou de parcerias em tecnologia no Hospital do Câncer de Londrina (HCL) e no Hospital do Coração. Ele propôs a criação de três polos de bambu no Paraná: em Londrina, Colombo e Foz do Iguaçu. E justificou alegando que a planta é a que produz a melhor celulose para nanotecnologia. Questionado se a ideia é trazer investimentos japoneses para desenvolvimento de nanotecnologia, ele respondeu que é "melhor começar com algo mais simples", se referindo ao cultivo do bambu.
Sobre uma possível diminuição do interesse do Japão pelo Brasil diante da crise econômica, ele também minimizou. "O interesse diminui para as grandes empresas, não para as menores."
Também presente na AML, o prefeito Kireeff disse que mantém "linha direta" com o empresariado japonês via Câmara do Comércio e Indústria. "Estamos construindo credibilidade. É o passo inicial para se ter investimento", afirmou. Ele disse acreditar na vinda de empreendimentos nipônicos, mas sempre em parceria com empresários daqui. "Vêm em forma de join venture (com empresas brasileiras). Sozinhas não vêm", contou.
O representante da Universidade Shinshu, Yoshimasa Miura, contou que sua equipe fechou acordos de cooperação com os hospitais visitados ontem e também com a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). E que já havia fechado anteriormente convênio na área de pediatria com a Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Professores de Shinshu entrevistaram ontem estudantes brasileiros candidatos a intercâmbio na Universidade. "Não podemos deixar de fazer intercâmbios com o Brasil devido ao grande número de imigrantes japoneses no País. Precisamos voltar os olhos para o Brasil. Já são mais de 100 anos de imigração", declarou.
André Luiz Correia Bueno, estudante de análise de sistema e morador de Ibiporã, foi um dos entrevistados. "Estou acabando o curso de graduação. Conhecer o Japão é um sonho e uma grande oportunidade de aprimorar meus conhecimentos", afirmou. No início da noite, quem esperava por entrevista era a estudante de moda Caroline Ando Kawakami. Ela ainda não sabia se há oportunidades em sua área. "Mas meu sonho é ir estudar no Japão", declarou.


