Londrina pode sair na frente em nível estadual e entrar ainda este ano na era dos condomínios industriais com controle ambiental. A Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel) está tentando viabilizar a primeira experiência em um segmento atormentado pela fiscalização sanitária e ambiental.
Se o projeto sair do papel, pelo menos uma dúzia de empresas ligadas ao setor de carnes e derivados estarão instaladas até o final do ano em uma área próxima a Estrada dos Coroados, a caminho do Patrimônio Regina (zona sul). A expectativa é que o empreendimento crie pelo menos 400 empregos.
O plano é utilizar uma área de cerca de 130 mil metros quadrados para montar a médio prazo um centro de excelência capaz de chamar a atenção dos exigentes mercados europeu e norte-americano. Para isso, serão adotadas normas internacionais de controle sanitário e ambiental, cuja principal necessidade é a formação de um lago de decantação que evite a poluição de afluentes, inclusive do lençol freático. ''Isto será em uma segunda etapa, quando o condomínio estiver consolidado. Nesta primeira etapa, iremos pensar mais no mercado interno'', adianta o presidente da Codel, João Batista de Rezende.
Ele conta que a idéia surgiu após a procura de empresários interessados em áreas ambientalmente aceitas para a atividade. A maioria estava em apuros com a fiscalização e algumas já haviam sido multadas por irregularidades ambientais na operação. Foi então que a administração municipal decidiu consultar o escritório regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para que o órgão indicasse um local para abrigar estas empresas, algumas instaladas hoje em municípios vizinhos.
O primeiro passo para que a solução pioneira comece a tomar corpo é uma série de reuniões com os interessados. A primeira delas foi ontem. Compareceram representantes de oito empresas: Sóporco, Ipê, Pauza, Rainha da Paz, Lopes e Ribeiro, Belga, Bono e Oliveira e Charque Medina, as três últimas de Cambé. ''O maior interessado é o próprio empresariado. Eles vão ter que investir em controle ambiental senão terão muitas dificuldades para concorrer mesmo no mercado interno, que também é cada vez mais exigente'', avalia Rezende. ''Até porque os compradores europeus fazem questão de conferir in loco as condições do frigorífico''.
Obrigado a se adequar, o setor poderá reduzir gastos ao compartilhar no condomínio áreas comuns além da lagoa de decantação, vias de acesso, área de carga e descarga, instalações elétricas e hidráulicas.
Outra vantagem seria o choque de credibilidade para um setor conhecido como um dos maiores sonegadores de impostos, de acordo com as palavras do próprio presidente da Codel. Uma das garantias para a imagem do condomínio seria o funcionamento, dentro da área do condomínio, de um escritório do Ministério da Agricultura. ''Eles já acenaram positivamente'', garante Rezende. Além disso, os empresários agregariam valor aos produtos e reduziriam custos de produção.

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