Londrina não tem demanda para gasoduto
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segunda-feira, 24 de agosto de 1998
Cláudia Lopes 
A demanda de gás natural em Londrina é de 170 mil metros cúbicos/dia, ou seja, insuficiente para justificar a extensão de um ramal do Gasoduto Bolívia-Brasil até a cidade. A conclusão do estudo feito pela Companhia Paranaense de Gás (Compagás) a fim de levantar o consumo londrinense foi anunciada ontem pelo presidente da companhia, Luiz Roberto Bruel. O mínimo necessário para viabilizar a construção do duto seria um consumo de 1 milhão de metros cúbicos/dia a 2 milhões de metros cúbicos/dia.
Para detectar a demanda no município, a Compagás pesquisou 17 empresas como a Companhia Cacique de Café Solúvel, a Eliane, a Dixie Toga e a Comaves. Na próxima semana, a companhia inicia estudo para apurar a demanda de Maringá. Juntas, as duas cidades devem ter uma demanda diária de 300 mil metros cúbicos, prevê Bruel.
O gerente da divisão sul da Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil S/A, Arno Duarte Filho, afirmou ontem à Folha, por telefone, que a empresa tem interesse em construir o ramal, que sairia de Bauru (SP) e ligaria Ourinhos (SP) a Londrina, desde que seja comprovada demanda suficiente na região. Na última sexta-feira, durante reunião em Ourinhos com prefeitos e entidades daquela região, Duarte recomendou às lideranças que seja elaborado um estudo em conjunto para levantar a demanda de todas os municípios que poderiam ser contempladas por este duto.
Acredito ser necessário um consumo mínimo de 1 milhão a 3 milhões de metros cúbicos/dia ao longo do ramal para justificar o investimento, afirma Duarte. Segundo ele, caso não seja preciso grande tecnologia para fazer o duto - isso depende basicamente da topografia do terreno - o ramal não custaria tão caro e uma demanda de 1 milhão de metros cúbicos/dia já o justificaria. Mas se o projeto for complexo e exigir tecnologia sofisticada, terá que haver uma demanda maior para ser viável.
Se Londrina conseguisse viabilizar a instalação de uma termoelétrica na região o problema estaria resolvido, segundo Luiz Roberto Bruel. Ele também diz estar viabilizando outras fontes de gás para Londrina como trazer o produto de Pitanga ou através de um gasoduto da Argentina. A construção de uma termoelétrica viabilizaria a construção do ramal já que uma usina de 450 megawatts utiliza 2 milhões de metros cúbicos de gás/dia.
O presidente da Copel, Ingo Hubert, declarou à Folha, há dez dias, através de sua assessoria de imprensa, que existe a possibilidade da estatal instalar uma usina termoelétrica na região Norte do Estado e que um pré estudo já está sendo feito para tentar identificar a viabilidade do investimento sob os pontos de vista econômico, técnico, financeiro e ambiental.
Arno Duarte diz ter recebido uma solicitação da Compagás para que a TBG faça um estudo de viabilidade econômica de um ramal para atender Londrina. Mas na reunião de sexta-feira passada informamos aos presentes que a TBG só fará este estudo se for comprovada a demanda mínima na região, afirma. Segundo Duarte, um estudo deste tipo demoraria 60 dias para ser concluído. Constituída há seis meses, 51% das ações da TBG são da Petrobrás e 49% de sócios privados. A empresa é a operadora do gasoduto Bolívia-Brasil.


