As tendências da prestação de serviços médicos já consolidadas em grandes centros chegou a Londrina. Nos últimos anos a cidade ganhou hospitais, clínicas e laboratórios com foco definido para atendimento somente dos pacientes que têm convênios médicos ou pagam pelo serviço particular (chamada de saúde suplementar). Trata-se de um novo nicho de mercado, segmentação implantada há mais tempo pelo varejo e pelos bancos. No caso restrito da saúde, o foco é oferecer atendimento diferencial aos usuários deste sistema, aproveitando o pólo médico e o poder de atração da cidade.
De acordo com Mariluz Gomez Esteves, arquiteta com especialização em Sistemas de Saúde, consultora em Sistemas de Saúde e mestre em Administração de Negócios, Londrina conta com uma estrutura de saúde superior às necessidades da população. O Ministério da Saúde preconiza como ideal um médico para cada mil pessoas. Na Região Sul, esta relação varia de 2,5 a 3 médicos para cada mil habitantes, enquanto em Londrina há 3,5 médicos para cada mil pessoas. Este número se deve à universidade de Medicina e à capacidade de atração de pessoas de outras regiões do Paraná e até de outros Estados.
Este ''poder de atração'' atua sobre moradores do sul do Mato Grosso do Sul e de São Paulo, de metade do Paraná e até do Paraguai. ''A força de Londrina já foi maior, hoje há um divisão com Maringá (Região Noroeste) na atração destes pacientes, mas temos conseguido manter esta força a partir de outros serviços de lazer, como os shoppings e os cinemas, por exemplo'', afirma Mariluz. A cidade já é uma referência em atendimento ao Sistema Único de Saúde (SUS) e o que tem ocorrido, segundo ela, é que estes pacientes ''competem'' com os da saúde suplementar na rede hospitalar.
Como os atendimentos do SUS são mais emergenciais, os pacientes conveniados ou particulares acabam sendo preteridos nos casos de procedimentos eletivos. ''O importante para cada hospital é definir o seu foco, o seu perfil. É um novo filão que estava sem assistência'', comenta a consultora. Dentro deste conceito foram criados em Londrina os hospitais do Coração, para atendimento de alta complexidade, e o Araucária, que irá atender média complexidade. Na sua avaliação, se as instituições de saúde atendem várias categorias, algum grupo de usuários sairá prejudicado.
Isso ocorre porque cerca de 70% das internações são do SUS, enquanto o restante é dividido entre convênios e particulares. Este último grupo não utiliza tanto a rede hospitalar porque são estimulados a tratar em casa e adotar outros tratamentos. ''Por isso, alguns setores ficam ociosos e os administradores acabam nivelando pelos pacientes com maior quantidade e, com isso, os outros podem se sentir desconfortáveis'', observa ela.
Crise
Os hospitais começaram a definir seus modos de atuação a partir de uma crise que atingiu o setor entre o final dos anos 80 e o início dos anos 90. Neste período, estas instituições tiveram que fazer a opção e, segundo Mariluz, os hospitais que ''fizeram a lição de casa'' primeiro conseguiram se sair melhor. ''Alguns reverteram a crise e se mantiveram no mercado, outros tiveram mais dificuldades para se reposicionar'', comenta. Alguns exemplos de hospitais que implantaram esta nova tendência no setor são: Albert Einstein e Sírio Libanês (em São Paulo) e os da Rede Dor (Rio de Janeiro).
Uma das novas opções de negócios em Londrina, apontada por ela, é investimento em estrutura para idosos. ''A parte cirúrgica está sendo bem atendida, mas não temos uma estrutura adequada de atendimento aos idosos, nem hospitais ou residências terapêutica'', observa Mariluz.

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