Os primeiros microcomputadores ''made in Londrina'' já começaram a ser fabricados. A Microsens, empresa local com 23 anos de mercado, iniciou a produção durante este mês, na unidade fabril instalada na Zona Oeste da cidade. O projeto consumiu recursos próprios de cerca de R$ 600 mil, divididos igualmente entre a construção da indústria e a compra de matéria-prima para estoque. Foram gerados 15 empregos diretos. A unidade tem capacidade para montar cerca de 2 mil micros por mês.
A produção foi iniciada com a montagem de 500 aparelhos, que serão comercializados pelas redes de varejo instaladas na cidade. Até o final do ano, a produção deverá ser dobrada, atingindo mil unidades. Neste período, outras 15 vagas de emprego serão abertas. Por enquanto, estão sendo montados quatro modelos de microcomputadores para uso doméstico e corporativo. Os componentes utilizados são de fabricantes estrangeiros ou de multinacionais instaladas no Brasil, como Samsung e Intel.
Gabinete, teclado, mouse e caixas de som são personalizadas pela Microsens. Já o monitor pode ser comprado juntamente com as outras peças ou não. Todos os aparelhos vêm com a instalação do programa Windows Vista ou Linux (software livre). Na avaliação do sócio-proprietário da Microsens, César de Oliveira, os diferenciais dos computadores da marca estão na qualidade e na origem dos computadores. ''A nossa estratégia é utilizar componentes de qualidade, produtos com origem certificada. Além disso, fazemos uma boa montagem e isso é fundamental para que as máquinas não voltem para a indústria'', salienta.
Até a abertura da fábrica, o foco de atuação da Microsens era o mercado corporativo e governamental, com a comercialização de microcomputadores (para o governo), projetos out-sourcing (terceirização de impressoras) e corporate business (comércio de produtos de informática com preços de atacado). ''O aumento do faturamento da empresa - que saltou de R$ 10 milhões para R$ 60 milhões nos últimos quatro anos - é que provocou a reavaliação do negócio e levou para diversificação'', comenta Oliveira. A projeção é que o faturamento da indústria fique entre R$ 10 milhões e R$ 15 milhões por ano.
Outro fator que contribuiu para a instalação da indústria foram os incentivos fiscais concedidos pelo governo, basicamente, através da edição de três legislações. Segundo informação da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação, Software e Internet, a Lei de Informática - regulada pela lei 8.248/91 e alterada pelas leis 10.176/01 e 11.077/04 - garante isenção ou redução do IPI para produção de bens de informática e automação.
Outro benefício é a chamada ''inclusão digital'', que reduz para 0% a alíquota do PIS/Pasep e da Cofins, sobre as receitas de venda a varejo de computadores, cujo valor não exceda o R$ 4 mil. E, por fim, há a lei 11.196/05 (que incorporou parcialmente a MP do Bem) que prevê como incentivo fiscal a suspensão do PIS e da Cofins sobre a importação de bens destinados ao uso no desenvolvimento do software.
A Microsens é uma indústria londrinense com 23 anos no mercado de tecnologia. Tem centros de distribuição em Londrina e Curitiba, e mais três filiais nas cidades de São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. Parceira da multinacional Samsung, a Microsens atende o mercado corporativo em todo o país. A empresa conta com 100 profissionais treinados para acompanhar o mercado de soluções tecnológicas.

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