Londrina fica em 337ª colocação na geração de empregos no Estado

Dados do Caged divulgados nesta sexta (24) colocam a cidade na contramão do Paraná; melhores resultados foram observados em Curitiba, Maringá e São José dos Pinhais

Simoni Saris - Grupo Folha
Simoni Saris - Grupo Folha

Na contramão dos resultados positivos do Brasil e do Paraná, Londrina teve desempenho fraco na geração de empregos em 2019. Os dados gerais do Estado, segundo balanço do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgado na sexta-feira (24), apontam que o município encerrou o ano passado com um saldo positivo de 0,14%, com 213 novos postos de trabalho. No ranking das cidades paranaenses com mais de 30 mil habitantes, Londrina ocupa a 37ª colocação e, entre todo os 399 municípios do Estado, está na 337ª posição. Os melhores resultados foram observados em Curitiba, com saldo positivo de 19.325 vagas criadas, seguida por Maringá (Noroeste) e São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba), com 3.781 e 3.159 vagas abertas, respectivamente.


A Indústria teve papel fundamental para os bons números estaduais. Em Londrina, novo plano é discutido para fortalecer o setor
A Indústria teve papel fundamental para os bons números estaduais. Em Londrina, novo plano é discutido para fortalecer o setor | iStock
 




Londrina ficou atrás de municípios bem menores em número de habitantes, como Cornélio Procópio (Norte Pioneiro), com uma população de 47.845 habitantes, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que ocupa a sétima posição, com 1.161 postos de trabalho, Jaguariaíva (Campos Gerais), com 34.857 habitantes e 489 vagas abertas, e Dois Vizinhos (Sudoeste), com 40.641 moradores e 378 postos de trabalho criados.




Assim como no Paraná, os segmentos de serviços e comércio foram os que mais geraram vagas em Londrina em 2019. O setor de serviços teve saldo positivo de 679 vagas (0,88%) e comércio, 222 novas vagas (0,55%). Mas o resultado favorável não foi suficiente para reverter as perdas registradas na indústria da transformação, que encerrou o ano com saldo negativo de 452 postos de trabalho (-2,05%), e na construção civil, com balanço negativo de 288 vagas (-4,16%).


Presidente da Codel (Instituto de Desenvolvimento de Londrina), Bruno Ubiratan destacou que o município tem investido em medidas para melhorar a empregabilidade, especialmente no sentido de atrair indústrias. “Estamos lançando a Cidade Industrial (um condomínio industrial fechado) e a nova lei da industrialização, mas isso não é feito da noite para o dia”, frisou. Empresas que começam a se instalar neste ano, ressaltou Ubiratan, só devem entrar em atividade e gerar empregos em longo prazo.


 Para o economista e professor do Departamento de Economia da UEL (Universidade Estadual de Londrina), Sinival Osório Pitaguari, Londrina sente hoje os reflexos do que considera um “erro estratégico” cometido por administrações anteriores, que investiram pouco na indústria, priorizando a prestação de serviços e o comércio. “Quando você tem uma cidade com indústrias, pode vender para o mundo inteiro. Na prestação de serviços, as pessoas têm que vir para cá para comprar. A nossa economia fica muito limitada”, disse Pitaguari.


A informalidade e o grande número de trabalhadores que optam por empreender podem explicar os números do município, segundo o presidente da Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina), Fernando Moraes. “No calçadão tem hoje um número de ambulantes fora do normal e se você vai lá oferecer emprego, duvido que algum queira trabalhar. Eu vejo que não só em Londrina, mas no mundo inteiro tem muita gente virando dono do próprio nariz. Às vezes ganha um pouco mais, mas corre risco maior.”


A recuperação, aposta Moraes, deverá vir do reaquecimento da construção civil e das empresas de tecnologia da informação. “Tem muitas empresas com vagas, mas que não conseguem contratar por falta de profissionais qualificados.” 


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