Londrina exportou 38,8% a menos em janeiro deste ano em relação ao mesmo mês de 2013, mas deve se beneficiar ao longo do ano em relação ao aumento de preços dos principais produtos da balança comercial local. Entre os itens mais vendidos ao exterior, o café e o milho sofreram as reduções mais expressivas no período, segundo dados sobre municípios divulgados durante o Carnaval pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). No entanto, as expectativas de menores safras das duas commodities para este ano resultarão em alta de preços.
Especialistas confirmam que o cenário econômico atual não é atrativo para as exportações brasileiras porque o valor do dólar ainda está defasado, apesar de mais alto do que em 2013. Mesmo assim, a receita deve ser maior em 2014.
No caso do café, a cotação em baixa no fim do ano passado fez com que muitos produtores segurassem a venda da safra. Segundo a Companhia de Abastecimento do Paraná (Conab-PR), o valor da saca de 60 kg caiu a R$ 205 em novembro, mas subiu gradativamente e estava cotada ontem a R$ 370. Assim, o valor da exportações vai aumentar, ainda que a quantidade vendida possa ser menor. "O Estado vai produzir menos café a partir de maio, mas o produto que estava estocado vai ser vendido com maior geração de receita. A cidade só vai ganhar", diz o economista Eugenio Stefanelo, técnico e ex-presidente da Conab-PR.
Para o milho, os efeitos climáticos também resultam em maiores preços, mas a redução nas exportações se deve ao redirecionamento da colheita para o mercado interno. A queda de receita com o embarque do produto em grão ao exterior foi de 94,5%, ao passar de US$ 13,8 milhões em janeiro do ano passado para US$ 750 mil no mesmo mês deste ano.
Como a indústria de carnes vive um bom momento e há expectativa de safra menor, o milho paranaense tem sido direcionado à ração na região, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. "Não há perda econômica, mas transferência. Quem produziu milho ganhou com a venda para o mercado interno", diz o diretor de pesquisas do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Julio Suzuki.
Stefanelo lembra que o País consome 54 milhões de toneladas de milho ao ano e produziu 75 milhões de toneladas em 2013. "Se ficarmos em 70 milhões (de toneladas) neste ano, já será um número muito bom", diz. Por isso, afirma que a indústria de carnes vive um momento de dependência em relação à segunda safra, o que elevou o preço interno acima do valor internacional.

Sem diversificação
O diretor do Ipardes diz que as exportações brasileiras não são competitivas e prevê mudança somente em 2015, se o real continuar a se desvalorizar em relação ao dólar. Para o diretor industrial da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Ary Sudam, a dependência da cidade em relação às exportações ainda é pequena, mas poderia ser maior.
Sudam diz que a indústria da região, com exceção da ligada ao café, é quase toda direcionada ao mercado interno e sugere um trabalho de entidades empresariais para "tirar o medo" dos empresários. "Precisamos criar mais exportadores, porque isso não é privilégio de empresa grande. Existem pequenos fabricantes de roupas no Nordeste que exportam até pelo correio e é preciso tratar de fomentar isso por aqui."

Imagem ilustrativa da imagem Londrina exporta 38% menos em janeiro
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