Londrina estuda criação de um Fundo Imobiliário
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quarta-feira, 09 de abril de 1997
Bete Fagundes 
Londrina está estudando uma fórmula de construir a sua Cidade Industrial que só foi criada, testada e aprovada em Betim. Naquela cidade mineira, o Grupo Bozano, Simonsen montou uma infra-estrutura industrial ao redor da Fiat e hoje fatura de todos os lados: na venda da área preparada para a produção, na locação, principalmente, ou na simples valorização do espaço. A idéia criativa chama-se Fundo de Investimento Imobiliário.
O presidente da Codel (Companhia de Desenvolvimento de Londrina), Alex Canziani, trouxe ontem para a cidade um especialista na matéria, com quem vem conversando há algum tempo sobre a possibilidade de desenvolver algo semelhante no Município. Vilson Deconto passou a tarde na Codel trocando idéias com um pequeno grupo. Ele é economista e doutor em Administração.
Os Fundos de Investimentos Imobiliários são comuns no País, no setor de habitação ou bancos. O que é raro é na área industrial. Aquele que reúne poupadores individuais, empreendedores que compram cotas e vão preparando a infra-estrutura. Sem a intervenção do Poder Público - que se preocupa apenas com a política de fomento industrial e com o redirecionamento da poupança interna.
Características principais do fundo: risco controlado, mercado não especulativo e de alto interesse coletivo, resume o consultor, adiantando que essa filosofia cai feito luva nos planos do Governo do Estado de agregar maior valor à produção.
O fundo é uma fusão dos mercados mobiliário e imobiliário, envolvendo indústrias, companhias de desenvolvimento, instituições financeiras. Tudo com a aprovação da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), sem personalidade jurídica (cada um dos cotistas é dono do negócio) e proporcionando um bom retorno.
Deconto fala que o fundo é flexível: Permite a emissão de novas cotas, a entrada do cotista em outros ramos de investimentos, até mesmo na privatização, e ainda tem as suas vantagens fiscais. É um investimento privado, de longo prazo, e de certa forma burocrático. Os compradores são os fundos de previdência privada, o BNDESpar, investidores privados e entidades do sistema financeiro.
Para o desenvolvimento do fundo, Deconto aconselha a seleção de um coordenador industrial e de um administrador, para apresentarem o projeto aos investidores, e a criação de uma Sociedade de Propósito Específico, para coordenar o processo industrial. Neste caso, uma S/A com balanço auditado. Da mesma forma o cotista terá a sua reavaliação patrimonial feita por empresa especial. Se o fundo tiver capacidade de montar, sozinho, toda uma estrutura industrial para depois alocar, melhor ainda.


