Londrina está entre as que mais movimentaram o e-commerce em 2014
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sábado, 14 de fevereiro de 2015
Mie Francine Chiba<br> Reportagem Local 
Mie Francine Chiba
Reportagem Local
Londrina está entre as cem cidades que mais movimentaram o e-commerce no País em 2014. O município aparece em 51° lugar na lista elaborada pela Conversion, empresa especializada em consultoria de negócios digitais, gerando uma receita de R$ 115,9 milhões para o comércio eletrônico. A cidade, porém, está atrás de dois municípios paranaenses Curitiba, que ocupa o 7º lugar do ranking, com receita de R$ 790,9 milhões, e Maringá, que está em 24° lugar, com receita de R$ 254 milhões.
A receita com as compras no e-commerce realizadas pelos londrinenses representa 7,03% do volume total do comércio eletrônico no Estado, e 0,27% da receita no País. No total, o varejo on-line no País faturou R$ 43 bilhões no ano passado, um crescimento de 26% sobre 2013, quando o resultado alcançou a cifra de R$ 34 bilhões.
Diego Ivo, CEO da Conversion, afirmou que a receita do e-commerce gerada em uma cidade é muito influenciada pelo Produto Interno Bruto (PIB) do município quanto maior o PIB, maior a receita gerada para o varejo virtual. Outro fator importante, segundo ele, é a cultura de uso da internet. "Londrina, apesar de ser uma cidade do interior, tem poder aquisitivo e cultura de internet. Onde há maior poder aquisitivo, maior a busca por novidades. As pessoas são mais conectadas."
Na visão de Pedro Guasti, diretor executivo da e-bit, empresa especializada em dados do setor de e-commerce, três fatores podem explicar os bons resultados do varejo virtual em uma cidade: a população, a classe social e o acesso à internet. "Vai depender do tamanho da população e da quantidade de consumidores virtuais, e também da classe social. Quanto mais alta a classe social, mais computador, smartphone, banda larga tem (para fazer compras on-line)", diz.
"A qualidade da banda larga da região também é importante. Em muitas cidades, os consumidores já usam internet com banda larga móvel. Se vamos para o interior de São Paulo, isso é um pouco mais difícil e não há banda larga fixa de qualidade. Este público, mesmo tendo acesso à banda larga, fica alijado do e-commerce porque a experiência é ruim", continua Guasti.
Alternativa
Além do PIB e da concentração das ações de marketing das empresas de e-commerce em determinadas localidades, outros fatores podem contribuir para que uma cidade gere mais compras no e-commerce do que outras, afirma Abner Debiasi, professor dos cursos de MBA em Marketing Digital e em E-commerce da faculdade Pitágoras. Uma delas é a questão do frete, que pode explicar o fato de São Paulo e Rio de Janeiro estarem no topo da lista das cidades que mais movimentam o e-commerce. Afinal, boa parte das empresas de comércio eletrônico se encontram nestas localidades, fator que pode reduzir o frete consideravelmente. "Quando se está dentro de São Paulo e Rio de Janeiro o custo do frete é reduzido."
Outro ponto que pode contribuir, inclusive, para que cidades menores que Londrina apareçam antes na lista de municípios que mais geraram receita para o e-commerce, é o varejo físico presente na região. "Londrina tem um varejo desenvolvido e acaba que a internet não é um recurso muito necessário. Se considerar cidades pequenas, a internet é uma chance de comprar roupas de marca, produtos diferenciados."
Segundo Diego Ivo, da Conversion, o levantamento das cidades que mais deram retorno ao comércio eletrônico teve o objetivo de mostrar que o consumo hoje é nacional, e não mais local. "Uma loja de sapatos não está mais concorrendo com as lojas físicas, mas com todas as lojas virtuais do segmento. Daqui a dez anos, vamos sofrer um processo em que as compras se tornarão ainda mais globais."


