Quatorze funcionários da Vasp de Londrina foram demitidos nas duas últimas semanas, a exemplo de outras filiais espalhadas pelo Brasil. Segundo a assessoria de imprensa da empresa, 380 pessoas ficaram desempregadas com a paralisação de seis aeronaves exigida pelo Departamento de Aviação Civil (DAC) devido à falta de condições para voar.
A justificativa apresentada pela empresa é o custo Brasil somado ao aumento do combustível e à desvalorização cambial. A reestruturação da malha aérea e o enxugamento no quadro de funcionários são as principais medidas tomadas pela Vasp para superar a crise. De acordo com a assessoria de imprensa, a expectativa é quitar seus débitos até dezembro e recontratar em 2005.
Em Londrina, apenas oito funcionários continuam trabalhando nos setores administrativo e carga. Os vôos regulares para São Paulo e Curitiba estão cancelados por tempo indeterminado assim como os guichês e lojas que permanecem fechados desde o início da semana. A informação da Vasp é que os passageiros com bilhete comprado serão atendidos até dia 18.
Jair, nome fictício, trabalhava no setor de carga em Londrina, e afirma que, até agora, não recebeu o pagamento da rescisão trabalhista. ''Fui demitido há 15 dias e a empresa disse que pagará a dívida entre 90 e 120 dias, mas ninguém tem certeza'', explicou o ex-funcionário que ganhava cerca de R$ 1,2 mil e desde junho não recebe salário. Jair possui 17 anos de experiência em atividades administrativas e, mesmo assim, está encontrando dificuldade para sua recolocação no mercado.
Apesar da morosidade da Justiça, ele pretende ingressar uma ação contra a empresa e talvez mudar de cidade. ''Não sabia que a crise era tamanha. Fiquei porque esperava que a situação melhorasse, mas acho isso muito difícil agora'', opinou.
Manoel, nome fictício, está em 'stand by' desde sábado e sem previsão para retorno ao trabalho. Ele também era funcionário do setor de carga, embora sua contratação não estivesse efetivada. ''Eles disseram que eu precisava abrir uma conta corrente no Banco do Brasil para receber o salário e, devido à greve dos bancários, isso não foi possível. Mas acho que isso não é desculpa'', disse Manoel que, felizmente, começa a trabalhar hoje em outro emprego.
Assim como Jair, ele também não recebe salário desde agosto e não sabe como o pagamento será feito. A única prova que trabalhou foram as listas de presença que assinou nesse período. ''Mesmo que seja chamado novamente não pretendo aceitar. Preciso de segurança, pois tenho duas crianças para cuidar'', adiantou.
A reportagem da Folha tentou falar com a superintendência do aeroporto de Londrina, mas não encontrou a responsável pelo departamento. Na loja da Vaspex, braço da Vasp no transporte de encomendas, os funcionários não abriram as portas para a imprensa.

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