Londrina é a quinta cidade do País em geração de empregos
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 04 de maio de 2015
Cecília França<br>Reportagem Local 
O País fechou o primeiro trimestre do ano com saldo negativo de 50.354 vagas de emprego. No entanto, alguns municípios conseguiram se manter na contramão deste movimento, segundo ranking divulgado no último fim de semana pela revista Exame. Londrina é um deles e aparece como quinto maior criador de postos de trabalho no período, com 3.672 vagas, atrás apenas de Franca (SP), São Paulo, Santa Cruz do Sul (RS) e Blumenau (SC). Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
Maior empregador do município, o setor de serviços é o responsável absoluto pelo desempenho no trimestre, com 3.179 novas vagas. Destas, 77% (2.449) foram criadas pelo subsetor de comércio e administração de imóveis, valores imobiliários e serviços técnicos, que inclui trabalhadores de imobiliárias, construtoras e incorporadoras. Grande parte destas contratações, 2.221, ocorreram nos meses de janeiro e fevereiro.
O secretário municipal do Trabalho, Emprego e Renda, Márcio Corrêa, diz que os números reforçam a importância regional de Londrina, destacam o incremento da área de serviços e devem-se, também, ao fato de a cidade ser universitária, uma vez que muitos estudantes acabam buscando o primeiro emprego no setor. Ele informa, ainda, que a construção civil ajudou no saldo positivo no início do ano. Em janeiro, o setor abriu 403 vagas.
Apesar da avaliação positiva, Corrêa ressalta que a tendência de queda nas contratações vem se acentuando desde janeiro e deve se intensificar até o fim do primeiro semestre. "Caso se confirmem as previsões, devemos ter queda agora e melhora no segundo semestre. Esperamos não passar por um momento de desemprego", diz o secretário.
Marcos Moura, diretor do Sindicato da Habitação e Condomínios (Secovi), diz que os números revelam que o mercado de imóveis não parou diante da crise econômica que afeta o País. Entretanto, a partir da acomodação dos preços que vem ocorrendo no momento, ele prevê uma mudança no cenário, mas não recuo.
"A própria economia não está ajudando, mas imóvel ainda continua sendo uma boa moeda e, com isso, o mercado fica ativado; sempre estamos em busca de bons profissionais", declara. Para ele, em momentos de incerteza como o atual, o profissional que mostrar competência e capacidade terá a chance de ser contratado.
Visão oposta
Para o presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis de Londrina e Região (Sincil), Marco Antônio Bacarin, os dados do Caged não se identificam com a realidade do mercado em Londrina. "Nós não conseguimos detectar isso. A gente teve informações de que muitas empresas do setor de imóveis dispensaram parte do contingente, principalmente corretores; houve redução bastante acentuada no quadro", declara.
Segundo ele, o mesmo acontece na construção civil, de acordo com informações de colegas do setor. Bacarin conta que as queixas de demissões começaram no fim do ano passado em virtude da diminuição das vendas de imóveis. Ele diz, ainda, que a maioria dos corretores trabalha sem contrato de trabalho, por meio de prestação de serviço.
"A maioria hoje é autônomo ilegal", informa. Segundo ele, uma nova legislação de janeiro deste ano estabelece duas modalidades de contrato, uma por meio da formalização como celetista (seguindo as normas da CLT), outra por meio de contrato como profissional liberal. A nova legislação protege a empresa contratante e também dá segurança ao corretor.
"Estamos fazendo uns 50 contratos de pessoas que estavam trabalhando como corretores, mas estavam ilegais, e agora vão passar a fazer esse serviço de 'corretor associado'. Esse número não poderia ter influenciado ainda (na contagem de empregos criados)", diz ele.


