Londrina deve subsidiar R$ 177 milhões do transporte coletivo
Administração contratou estudo para revisar planilhas de custo e fazer diagnóstico do sistema. Cerca de 7,7% da população usa o serviço
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 05 de agosto de 2025
Administração contratou estudo para revisar planilhas de custo e fazer diagnóstico do sistema. Cerca de 7,7% da população usa o serviço

A Prefeitura de Londrina deverá desembolsar cerca de R$ 177 milhões para custear o transporte coletivo da cidade em 2025, quase o dobro do que foi pago às concessionárias em 2024. O valor recorde é resultado do último reajuste da tarifa técnica, autorizado no fim de dezembro pelo ex-prefeito Marcelo Belinati (PP). O usuário continua pagando R$ 5,75, mas o custo real por passagem chega a R$ 10,20 na área da Londrisul e R$ 11,80 na da TCGL.
A gestão Tiago Amaral (PSD) optou por congelar o valor do passe pago pelos londrinenses, mas precisará lidar com um déficit de mais de R$ 100 milhões. Dos R$ 177 milhões estimados para 2025, apenas R$ 72 milhões estavam previstos no Orçamento.
Os valores são muito superiores aos registrados em anos anteriores. Em 2023, os pagamentos para custear gratuidades — como as de idosos e estudantes — e os subsídios para equilibrar a tarifa técnica somaram R$ 75,7 milhões. Em 2024, R$ 94,9 milhões. Até junho deste ano, os repasses às empresas já somam R$ 80,6 milhões.
O subsídio ocorre, também, porque os bilhetes sozinhos não conseguem manter a estrutura. O custo estimado do sistema em 2025 é de R$ 305 milhões, dos quais apenas R$ 128 milhões devem ser pagos pelos usuários. Cabe ao município bancar a diferença.
ESTUDO
A CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) contratou, por cerca de R$ 140 mil, a empresa LG Mobilidade Urbana para realizar a “revisão da planilha tarifária, análise de subsídios e diagnóstico do sistema de transporte coletivo urbano de Londrina”.
Em nota, a Companhia afirma que a revisão é uma necessidade identificada pela atual gestão, diante do “déficit orçamentário deixado pela administração anterior de R$ 105 milhões somente no transporte coletivo”. A empresa terá seis meses para concluir o estudo, ou seja, a tendência é que o resultado tenha reflexo na definição do valor da passagem para 2026.
“O objetivo é que o estudo e a revisão indique possíveis caminhos a serem adotados pela administração para diminuir os custos do serviço e, consequentemente, reduzir o déficit no próximo ano. E ao mesmo tempo encontrar alternativas para o aumento do número de usuários e de receitas”, diz o texto.
Procuradas, as concessionárias não comentaram o estudo contratado pela CMTU.
Aumentar o número de londrinenses que usam o transporte coletivo é um desafio. A estimativa é que cerca de 44 mil pessoas utilizem os ônibus diariamente — o que representa apenas 7,7% da população da cidade, de mais de 577 mil habitantes.
O Plano de Mobilidade de Londrina, publicado em 2022, estabelece como uma das metas para os próximos anos “tornar o transporte coletivo mais atrativo frente ao transporte individual motorizado”.


Douglas Kuspiosz
Repórter com foco em Política e Cidades.


