Londrina não tem informações sobre a instalação da fábrica da Dixie Lalekla que o governo do Estado disse que espera anunciar para o município como um dos novos investimentos no interior. O vice-prefeito Alex Canziani, também presidente da Codel (Companhia de Desenvolvimento de Londrina), não admite, mas dá a entender que foi pego de surpreso. Ele nem sabe ao certo qual a área de atuação da empresa: ‘‘Eu sei que ela trabalha com plásticos, toalhas de papel.’’
O anúncio do governo coincide com a divulgação de que o Estado assinou no início do mês um protocolo de intenções para a instalação da primeira unidade brasileira da Detroit Diesel (fábrica de motores) na região de Curitiba. A empresa deve se manifestar oficialmente em maio, e o anúncio estaria sendo retardado para evitar um certo descontentamento do interior em relação a (mais) investimentos próximos à Capital.
Londrina entra nessa história dentro da intenção declarada do governo de anunciar até maio novos investimentos no interior do Estado, entre os quais, a Dixie Lalekla no município e a Teka em Palmeira (região Sul). Sobre o assunto, Alex Canziani diz que ‘‘ainda não existe definição, não é nada oficial.’’
Segundo o presidente da Codel, a empresa procurou o governo falando da intenção de montar a unidade em algum ponto do Estado - ‘‘e como o governo tem vontade de priorizar investimentos para o interior’’, abriu a negociação.
Canziani diz ainda que em contato ‘‘com o pessoal da secretaria’’ (Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico) soube que o governo aguarda o projeto de instalação da Dixie para definir a sua política de incentivos. O prefeito Antonio Belinati não foi encontrado ontem pela Folha para falar sobre o assunto.
Maringá O prefeito de Maringá, Jairo Gianoto (PSDB), disse ontem que a instalação de uma filial da empresa norte-americana Detroit Diesel Corporation em Curitiba ‘‘será muito bom para o Paraná, mas seria muito melhor se a fábrica de motores fosse instalada em Maringᒒ. Segundo Gianoto, a região Noroeste ‘‘está carente de empregos e de investimentos, fazendo com que muita gente se mude para a região metropolitana de Curitiba’’.
Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Maringá (Acim), Hélio Costa Curta, a Capital tem privilégio porque tem mais atrativos, como estradas, portos marítimos próximos (Paranaguá e Antonina). ‘‘Enfim, Curitiba é próxima a tudo o que é necessário para a instalação dessas montadoras. Se eu fosse o governador, também levaria as montadoras para Curitiba’’.
No entanto, continua Costa Curta, ‘‘o governo estadual pode provocar o desenvolvimento da principal vocação da região de Maringá, a agropecuária, além de ter também condições de provocar o crescimento das empresas agropecuárias que já estão instaladas aqui’’.
Costa Curta diz que o governo estadual tem a obrigação de ‘‘dotar a região de infra-estrutura necessária para o acolhimento dessas empresas agropecuárias, fazendo estradas, melhorando a comunicação, a formação profissional, operacionalizando o aeroporto de Maringá e incentivando a rede hoteleira’’.
Segundo o dirigente, o governo ‘‘deve lutar para baixar os juros e abrir os cofres do BNDES para investir na região, pois as empresas nacionais têm dificuldades para obter recursos’’. (Colaborou Marccio W. Varella, da Sucursal de Maringa)

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