Embalados pela grande concentração de empresas de Tecnologia da Informação (TI), a prefeitura de Londrina e entidades locais lançaram ontem uma nova marca da cidade a ser divulgada para o Brasil e para o mundo. O conceito de "Cidade Genial" apoia-se no potencial desse mercado de alto valor agregado, que reúne 1.170 empresas na região e gera cerca de 14 mil empregos. Outros ativos, como a existência da Sercomtel e as dezenas de instituições de ensino, foram apontados como diferenciais competitivos.
Durante o lançamento, o Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel) entregou ao prefeito Alexandre Kireeff o projeto de criação da Lei de Inovação, uma das principais iniciativas para apoiar o desenvolvimento e a atração de novas empresas do setor. O texto prevê a criação do Sistema e do Conselho municipais de Ciência, Tecnologia e Inovação, apoio financeiro aos projetos, benefícios fiscais, participação societária, preferência para empresas locais em processos de compra, entre outros pontos.
"O objetivo inicial é alinhar as políticas públicas às ações estratégicas do setor de TI; o poder público reconhece o potencial e divulga essa marca", declara o presidente da Codel, Bruno Veronesi. Para ele, a característica "limpa" e a pouca ou nenhuma necessidade de infraestrutura rodoviária são pontos positivos da indústria de TI.
Veronesi aponta o aperfeiçoamento do ISS Tecnológico (instituído em 2010 para conceder benefícios fiscais às empresas prestadoras de serviços que realizam investimentos em pesquisa e desenvolvimento tecnológico) como outro incentivo necessário ao fomento do setor. Ele também revelou a possibilidade de a cidade criar um porto digital, nos moldes do realizado em Recife (PE). Lá, uma área anteriormente degradada foi revitalizada para abrigar empresas de base tecnológica.
"O porto cria um ambiente para receber laboratórios, startups, incubadoras, por meio de incentivos tributários e em um local com infraestrutura, como internet com capacidade ampliada", explica o presidente da Codel. Embora não haja área definida para o porto local, a possibilidade agrada o presidente do APL, Gabriel Henríquez.
"Nós passamos por relações humanas, que geram laços de confiança e trocas que geram novas ideias. A questão de ter o ambiente aglutinado é tão bacana, porque promove o surgimento dessas iniciativas", acredita. Henríquez explica que o setor de TI vai além da criação de softwares, principal atividade das empresas locais. Eletrônica e microeletrônica, internet, comunicação e circulação de dados, também fazem parte do rol de atividades do setor, que cria soluções para as mais diversas áreas produtivas.
"A TI consegue reter talentos e tem a característica de ser transversal, permeando desde a área médica até a indústria metalmecânica, passando pela agricultura de precisão", expõe Henríquez. Para ele, a marca escolhida para representar a "genialidade" local mostra que "a mente do londrinense corre na contramão do pensamento ortodoxo".
Dentre as entidades envolvidas na criação da marca Cidade Genial estão o APL de TI, a Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), a Central de Inovação, Desenvolvimento e Negócios Tecnológicos (Cintec), Codel, Sebrae, Senai, Sercomtel e Sindicato das Empresas de Software do Paraná (Sinfor).

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