Londrina avança, mas perde posições no Índice Firjan
Município tem melhorado os indicadores de desenvolvimento, mas em ritmo menor que outros municípios do Paraná
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 12 de maio de 2025
Município tem melhorado os indicadores de desenvolvimento, mas em ritmo menor que outros municípios do Paraná
Celso Felizardo 

Apesar da constante evolução nos indicadores do IFDM (Índice Firjan de Desenvolvimento dos Municípios), Londrina vem perdendo posições no ranking estadual ao longo dos anos. Os dados mais recentes, ano-base 2023, divulgados na semana passada, colocam o município mais populoso do interior do Paraná na 20ª colocação no estado, com índice geral de 0,8341. Em 2019, pré-pandemia, a cidade ocupava o 10º lugar e, em 2013, primeiro ano da série histórica, tinha o terceiro melhor desempenho, atrás apenas de Maringá e Curitiba.
O IFDM é um estudo anual elaborado pela Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro). Ele acompanha o desenvolvimento socioeconômico dos mais de 5 mil municípios brasileiros, avaliando três áreas fundamentais: Emprego e Renda, Educação e Saúde. Quanto mais próximo de 1,0000 melhor é o desempenho.
A área mais bem avaliada em Londrina é Emprego e Renda, 0,9709. Educação, por sua vez, teve nota 0,7681. A Saúde foi o quesito com a avaliação mais baixa, 0,7632.
A queda de Londrina no ranking estadual é explicada, em parte, pelo bom desempenho dos municípios paranaenses no ranking. Dos 10 primeiros colocados, cinco são paranaenses. Curitiba despontou como a terceira melhor do país, com IFDM de 0,8855, seguida por Maringá, em quarto lugar, com 0,8814. Toledo (0,8763), Marechal Cândido Rondon (0,8751); no Oeste; e Francisco Beltrão (0,8742), no Sudoeste, completam a lista das paranaenses no Top 10 nacional em 6º, 7º e 9º lugares, respectivamente.
O Paraná também aparece entre os estados com o maior número de cidades com IFDM moderado e alto. Segundo a Firjan, 98,3% da população paranaense vive em cidades com índices alto (48,3%) e moderado (50,1%), o que representa cerca de 11,6 milhões de pessoas, de um total de aproximadamente 11,8 milhões de paranaenses.
Apenas 1,7% está em cidades com nível baixo de desenvolvimento (194 mil pessoas). Não há população vivendo em locais classificados como críticas no Paraná. Dos 500 maiores índices em todo o Brasil, 17,8% (71 municípios) estão no Estado. Além do Paraná, São Paulo também se destaca, com duas cidades no topo do ranking: Águas de São Pedro (0,8932) e São Caetano do Sul (0,8882), e outras três no Top 10.
Ao analisar a série histórica, é possível perceber a evolução de Londrina nos indicadores. Em 2013, o índice geral era de 0,7802. Em 2021, o município ultrapassou a casa dos 0,8 e saltou patamar, de desenvolvimento moderado para alto. Porém, nesse mesmo período, outros municípios paranaenses obtiveram arrancadas mais expressivas. O indicador Emprego e Renda londrinense já consta na faixa mais alta, mas o desafio é aumentar a qualidade nas duas áreas mais vitais da administração: saúde e educação, que ainda ficam na faixa de desenvolvimento moderado.
Ao assumir o mandato, a nova gestão municipal do prefeito Tiago Amaral (PSD) expôs alguns dos desafios. Na educação, a fila nas creches é um dos principais desafios. São mais de 3 mil crianças entre zero e quatro anos no aguardo por uma vaga. Na saúde, a alta demanda também preocupa. No início do ano, eram 160 mil pacientes aguardando por consultas de especialidades, exames ou cirurgias.
O QUE FAZER PARA MELHORAR
Para o economista e secretário municipal de Planejamento, Orçamento e Tecnologia, Marcos Rambalducci, o desempenho de outras cidades paranaenses foi mais expressivo ao longo da última década. “A conclusão é clara: outros municípios avançaram mais rapidamente, refletindo políticas públicas mais consistentes e estratégicas”, afirma.
O contraste mais evidente, segundo Rambalducci, está na comparação com Maringá. “Em 2013, Maringá já era a segunda colocada no Paraná. Em 2019, assumiu a liderança e, mesmo tendo sido superada por Curitiba em 2023, permanece como a segunda melhor do estado e a quarta no país. Já Londrina aparece apenas na 92ª posição nacional.”
Para ele, uma hipótese consistente para essa diferença é a estrutura econômica menos industrializada de Londrina em comparação a Maringá. “Dados do Caged mostram que 18% dos empregos formais de Maringá estão na indústria, contra apenas 12,5% em Londrina. A indústria é um setor que tradicionalmente oferece empregos mais estáveis e com melhores salários”, compara, utilizando dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho.
Segundo o secretário, o avanço no IFDM depende de políticas públicas contínuas, integradas e bem direcionadas. “Londrina enfrenta o desafio de reverter a estagnação relativa, especialmente no que se refere à geração de emprego formal e ao reequilíbrio de sua matriz econômica”, analisa.
Rambalducci destaca que, para Londrina recuperar posições no ranking, será necessário repensar a estratégia de desenvolvimento. “O município precisa melhorar a qualidade do gasto público, focando menos em volume e mais em efetividade. Isso significa priorizar setores produtivos estratégicos, qualificar a gestão pública e priorizar investimentos que ampliem resultados concretos nas áreas de saúde, educação e empregabilidade”, detalha.
Os 20 municípios paranaenses mais bem avaliados no Índice Firjan
BR PR IFDM
3º 1º Curitiba 0,8855
4º 2º Maringá 0,8814
6º 3º Toledo 0,8763
7º 4º Marechal Cândido Rondon 0,8751
9º 5º Francisco Beltrão 0,8742
13º 6º Cianorte 0,8652
14º 7º Dois Vizinhos 0,8646
19º 8º Campo Mourão 0,8615
31º 9º Pato Branco 0,8537
35º 10º Itaipulândia 0,8529
39º 11º União da Vitória 0,8514
42º 12º Palotina 0,8512
50º 13º Paranavaí 0,8479
55º 14º Pinhais 0,8453
62º 15º Mandaguari 0,8439
67º 16º Apucarana 0,8428
80º 17º Cascavel 0,8391
88º 18º Rio Negro 0,8357
89º 19º Umuarama 0,8353
92º 20º Londrina 0,8341
Fonte: IFDM - Firjan



